IMPRESSÕES
Dênio Mágno da Cunha*
A primeira impressão é a que fica. Diante dos alunos, sala cheia ou não, a impressão é que dessa vez vai. Dessa vez todos compreenderão que estamos iniciando uma jornada e que dessa jornada sairemos todos diferentes, mudados, alterados, melhorados, se possível. Quisera fosse essa uma regra.
Neste momento crucial, da primeira impressão, penso no que seja ser ex-aluno, egresso (modernamente falando) de uma instituição de ensino. No Brasil, na maioria dos casos, o egresso é um esquecido. Nós o “ensinamos” e o largamos no deserto da vida. Ele pode ser um egresso do maternal, do fundamental, do médio, do ensino superior e sempre será um abandonado a sua própria sorte. Cena de filme de ficção: mundo arrasado pela radiação atômica, o último Ser Humano observa do alto da colina a terra arrasada. Agora é por sua conta, diria o seu ex-professor, também um egresso.
Poucas são as instituições de ensino, em todos os níveis, que acompanham seus ex-alunos. Na verdade misturando com a vida, ser “ex” só é útil na hora de fazer campanha política. Nesse momento toda a “ex” do sujeito é exposta na tela da tv: ex-aluno do colégio X, do Jardim da Infância Y e por aí vai. A intenção é agregar votos com exatidão.
Não atoa essas palavras iniciais dessa “impressão”, pois tem todo sentido falar do ex-aluno quando iniciamos uma coluna intitulada “impressões de um professor”. Qual é a lógica? A lógica está na palavra. O professor não é nada mais do que um impressor. Antigamente poderia ser comparado a Gutemberg, laboriosamente selecionando letra por letra para formar uma palavra, uma frase, um livro. O professor é aquele que imprime e causa impressão, que sinaliza o caminho, que ensina ou orienta a escrita na folha em branco que é o aluno no primeiro dia de aula (qualquer primeiro dia). Faz sentido: impressão.
Por outro lado, colaborando com a ideia, quando ex-alunos se encontram invariavelmente conversam e trocam impressões ao falarem de seus ex-professores. Nesta semana isso aconteceu comigo: Professor Y, assim; Professor X, ... Impressões.
Também não por acaso, desenvolvo um trabalho que conta um pouco dessa impressão deixada por professores de um tradicional colégio mineiro. A biografia de seus “ex” demonstra a boa impressão deixada pelos professores. Felizmente, as boas impressões são as que frequentemente permanecem. Os livros envelhecem, ficam amarelos, mas o que foi bem impresso continua visível por um longo tempo, resistindo no tempo, ultrapassando a vida do autor.
Pessoalmente – não será agora – eu poderia contar histórias e citar professores que fizeram uma boa impressão nas folhas do livro em branco da minha vida. E espero que você leitor tenha também muitas e boas impressões feitas por seus professores – ex e atuais.
Até a próxima impressão.
* Professor: MBA Carta Consulta. Una/Unatec. Doutorando Universidade de Sorocaba.