Integração e troca de experiências entre estudantes no Pantanal
Alunos e professores da Escola Rural da fazenda Nhumirim, campo experimental da Embrapa Pantanal, Unidade da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) participaram no último dia 22 de setembro, de uma atividade inédita e especial, realizada pelos alunos e professores do Curso de Campo Ecologia do Pantanal, através do Programa de Pós-Graduação em Ecologia e Conservação da UFMS. Na ocasião, os estudantes da fazenda tiveram a oportunidade de conhecer os resultados de quatro pesquisas realizadas pelos pós-graduandos.
Ao longo dos cinco dias de curso na fazenda Nhumirim, os 17 estudantes de pós-graduação realizaram doze pesquisas sobre diversos temas, orientados por quatro professores: Agostinho Catella e Ubiratan Piovezan (Embrapa Pantanal, Corumbá/MS), John Du Vall Hay (UNB, Brasília/DF) e Gustavo Quevedo Romero (Unesp, São José do Rio Preto/SP). Depois de concluir os trabalhos científicos, os alunos de pós-graduação foram convidados para selecionar quatro pesquisas que gostariam de apresentadas para os estudantes da Escola Rural. As pesquisas selecionadas tiveram sua linguagem adaptada para o público local, composto por crianças de 7 a 14 anos.
Desta forma, na quinta-feira, o refeitório da fazenda se transformou numa grande sala de aula, com projetor multimídia e muita disposição, onde estudantes de pós-graduação em Ecologia, de vários Estados do Brasil e de mais quatro países da América do Sul e os alunos de ensino fundamental da fazenda puderam trocar conhecimentos e experiências de forma clara e objetiva. "Foi um momento inesquecível, pois os alunos da Escola Rural fizeram inúmeras perguntas pertinentes e demonstraram muito interesse durante toda a atividade. Os estudantes da pós-graduação ficaram satisfeitos com a oportunidade de dividir experiências com as crianças pantaneiras, que tem um conhecimento empírico amplo sobre o ecossistema local", ressaltou o pesquisador da Embrapa Pantanal, Agostinho Catella.
Os trabalhos apresentados, na ocasião, foram os seguintes: "Visitação de mamíferos nas pilhetas", "Orientação corporal do veado campeiro em relação ao sol", "Reconstrução de galerias de cupins sobre carandás após a queimada" e "Recolonização de aranhas em gravateiros após a queimada". O pesquisador da Embrapa Pantanal, Ubiratan Piovezan explica que esses trabalhos são relevantes, pois servem como projetos pilotos para futuras dissertações e teses. "Essa experiência também demonstrou que a presença de estudantes oriundos de vários Estados do Brasil e de mais três países da América Latina faz a diferença, pois através deles foi possível ampliar a nossa percepção com relação a algumas espécies e experiências que o Pantanal vem demonstrando diariamente e que, muitas vezes, podem passar despercebidas, uma vez que nosso foco está voltado para nossas especialidades. Nesse curso foi possível ampliar nossa percepção em relação a aranhas, macacos, insetos, entre outros", salientou Piovezan.
O curso de campo conta com o apoio da Embrapa Pantanal desde 1999 e, no ano 2000, passou também a ter apoio da Conservação Internacional. Assim, o curso coordenado pelos Prof. Dr. Erich Fischer e Prof. Dr. Josué Raizer Fischer (UFMS, Campo Grande/MS), tem duração de 30 dias, tendo suas atividades divididas entre a fazenda Nhumirim, a fazenda Rio Negro e a Base de Estudos do Pantanal da UFMS. "A idéia do curso de campo é dar oportunidade aos alunos de pós-graduação de aprenderem a desenvolver pesquisas de campo, isto é, fazer uma pergunta, coletar e analisar os dados para respondê-la e apresentar os resultados finais que serão reunidos num livro, com a finalidade de conhecer as peculiaridades do Pantanal e interagir com a comunidade pantaneira", informou o pesquisador da Embrapa Pantanal e professor do Programa de Mestrado e Doutorado em Ecologia e Conservação, Guilherme Mourão.