Intercâmbio pode ser alternativa para universidades brasileiras
Lançado no mês de março, por meio de parceria entre a EMBRATUR (Instituto Brasileiro de Turismo) e a Belta (Associação Brasileira de Operadores e Representantes de Programas Educacionais e Cursos no Exterior), o Bureau Brasileiro de Intercâmbio busca promover o mercado de turismo educacional receptivo no Brasil. Para aproximar o mercado das universidades, agentes receptores tradicionais no setor educacional, a EMBRATUR participou pela primeira vez da reunião anual da FAUBAI (Fórum das Assessorias das Universidades Brasileiras para Assuntos Internacionais), no último dia 13, em Cuiabá (MT).
"Tivemos a ousadia de trazer a visão comercial para um fórum acadêmico", afirma a presidente da FAUBAI e assessora de assuntos internacionais da UCS (Universidade de Caxias do Sul), Luciane Stallivieri, lembrando que o bureau tem papel importante no desenvolvimento do apoio logístico para a recepção de estrangeiros no Brasil. "As universidades brasileiras normalmente não sabem se promover. Além da infra-estrutura, precisamos investir em uma campanha de captação", afirma ela, "já recebemos alunos internacionais, mas o número poderia ser bem maior se o setor estivesse melhor estruturado".
Segundo a Belta, associação que reúne aproximadamente 90% das principais instituições brasileiras que trabalham nas áreas de cursos, estágios e intercâmbio, 44% das suas associadas já atuam na área de recepção de estrangeiros. Além do intercâmbio acadêmico, os principais programas procurados por estrangeiros interessados em estudar no Brasil são de esportes, língua portuguesa e trabalhos de cunho social.
"Nosso papel é desenvolver o setor. Queremos unir aqueles que já estão recebendo estudantes estrangeiros, como as universidades, com os operadores de turismo", explica a gerente de Apoio à Comercialização da EMBRATUR, Jurema Monteiro, representante do Instituto no encontro da FAUBAI. Segundo ela, o programa pode ser uma alternativa para a atual falta de recursos das instituições educacionais e um trabalho de promoção focado nos países da América do Sul, nos quais a excelência do ensino brasileiro é reconhecida, pode gerar resultados significantes. "Sabemos que temos esse potencial no Brasil, mas precisamos criar uma rede de distribuição do produto intercâmbio", afirma a gerente, informando que o bureau pretende organizar seminários e treinamentos de capacitação para o setor.
Além disso, o Bureau Brasileiro de Intercâmbio prevê a criação e confecção de material de divulgação, um portal com informações para estrangeiros interessados em estudar no Brasil e a participação nos principais eventos internacionais do segmento. Já estão programadas visitas a encontros como os da Nafsa (Association of International Educators), em Seattle (Estados Unidos), entre 29 de maio e 03 de junho, da FELCA (Federation of Education and Language Consulting Associations), em Londres (Reino Unido), em 26 de agosto, e da WYSTC (World Youth and Student Travel Conference), em Toronto (Canadá), entre 10 e 16 de outubro.