Jovens aprendem a combater o trabalho escravo em escola do Piauí
Na Escola Estadual Irmã Maria Simplícia, no município de União, no Piauí, os estudantes aprendem muito mais que ler e escrever. A escola desenvolve um plano integrado de combate ao trabalho escravo. O projeto "Escravo Nem Pensar!", é coordenado pela organização não-governamental Repórter Brasil e envolve alunos, professores, funcionários e a comunidade. A ação une-se ao trabalho que é desenvolvido pelo governo federal, através de ministérios, como o do Trabalho e Emprego, que mantém um grupo móvel de fiscalização do trabalho escravo, e do Desenvolvimento Agrário, que lançou recentemente o Plano para a Erradicação do Trabalho Escravo, realizado em conjunto com o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra).
A finalidade do trabalho desenvolvido pela escola é prevenir e diminuir o aliciamento de jovens moradores de cidades do interior do Nordeste para o trabalho escravo na região da fronteira agrícola amazônica. Primeiramente, os professores recebem treinamento, para posteriormente debater o tema em sala de aula.
"A arma que escolhemos para combater o trabalho escravo é a educação. Através da capacitação de professores, líderes comunitários, sindicais, educadores, queremos atingir a parcela da população jovem que mais facilmente pode ser atingida por esse tipo de crime, buscando, com isso, contribuir para que haja uma diminuição dos números de aliciamento", explicou o coordenador da ONG Repórter Brasil, Leonardo Sakamoto.
Na primeira etapa, realizada em março deste ano, já foram capacitados cerca de 200 professores e 100 líderes comunitários através de aulas com a duração de 40 horas por semana no Piauí. Segundo Sakamoto, a partir de agosto, quando será realizada a segunda fase do projeto, a expectativa é que sejam capacitados 1.200 professores e mais 600 líderes comunitários em 24 municípios nos estados do Maranhão, Piauí, Pará e Tocantins.
Para a assessora da Comissão Pastoral da Terra (CPT) do Piauí, Joana Lúcia Feitosa, essa capacitação mostrou o peso que a educação tem na prevenção e quando é feito um trabalho voltado para a realidade das comunidades. "Estamos agora discutindo com a Secretaria de Educação do Piauí a proposta de ampliar esse curso de capacitação às demais escolas e fazer com que a secretaria desenvolva uma campanha no Estado de prevenção e combate ao trabalho escravo", ressaltou.
O projeto é desenvolvido com a parceria da Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República, a Comissão Pastoral da Terra e o Centro de Defesa e dos Direitos Humanos de Açailândia, e conta com o apoio de 20 outras entidades, como a Organização Internacional de Trabalho (OIT). A ação será estendida a outros municípios: Açailândia, Bom Jesus das Selvas, no Maranhão; e Barras e Miguel Alves, no Piauí - todos com altos índices de aliciamento.