31/08/2026

Limites com Afeto: Superando a Negligência Familiar por Meio da Educação Assertiva

Por Wolmer Ricardo Tavares – Mestre em Educação e Sociedade, Escritor, Palestrante e Docente – http://www.wolmer.pro.br

Currículo Lattes http://lattes.cnpq.br/9745921265767806

 

Como afirma o adágio, “educação vem do berço”. Isso mostra que a primeira socialização da criança acontece no seu seio familiar por meio da educação informal — aquela que ela aprende por meio do afeto (ou da falta dele) e de exemplos, sejam eles bons ou maus. O fato é que, com a escassez de tempo, alguns pais têm se permitido ser omissos no ato de educar, e uma forma de compensar sua ausência é por meio da conivência e até mesmo da negligência.

A permissividade passa a ser entendida como amor, já que subtrai da criança qualquer tipo de frustração. Dessa forma, o indivíduo começa a moldar um caráter fragilizado, tornando-se um cidadão narcisista, manipulador e com comportamentos impulsivos. Eizirik e Bergmann[1] salientam que a ausência dos pais leva as crianças a terem dificuldade em reconhecer limites e aprender regras de convivência social.

O "não" dito na hora certa pode ser libertador e fundamental para o desenvolvimento infantil, já que serve como mola propulsora para a constituição da subjetividade, autonomia e resiliência emocional. No decorrer da vida, o "não" será ouvido diversas vezes, e é preciso perceber que a negação nem sempre é falta de amor. Muitas vezes, a frustração da criança reflete o zelo dos pais; é a mais pura forma de educar, já que essa palavra monossilábica tira o sujeito do egocentrismo e o insere na coletividade, contribuindo para o rompimento do individualismo.

Araujo e Sperb (2009)[2] ressaltam que a imposição de limites tem sido uma dificuldade enfrentada tanto por pais quanto por professores da educação infantil. O "não" atua como limitador e marcador moral, envolvendo a obediência a regras e normas. Sendo assim, cabe observar que o ato moral está “ligado ao respeito aos direitos alheios, ao cuidado em levar em conta a singularidade e as necessidades do outro e a consideração do bem comum”.

Dito isso, impor limites é uma forma de proteção, diálogo e construção da moralidade, e não uma maneira arbitrária de exercer poder. Assim, o limite funciona como um norte para que a criança compreenda o convívio em sociedade. É interessante pontuar que, quando se trabalha o limite, abre-se caminho para uma educação assertiva, balizada pela tríade clareza, respeito e equilíbrio. Seus benefícios incluem um ambiente harmonioso, desenvolvimento emocional e segurança para a troca de ideias e expressão de sentimentos.

Como ressaltado acima, Araujo e Sperb (2009) complementam que é no ambiente familiar que a criança tem o primeiro contato com o mundo das regras e dos valores. Cabe justamente às famílias firmarem parcerias efetivas com as escolas para que a criança cresça em um ambiente saudável e equilibrado. A educação assertiva contribuirá, portanto, para o desenvolvimento de relações saudáveis, prevenção de conflitos e problemas psicossociais, redução da ansiedade social, aumento da autoestima, melhora da empatia e promoção da saúde mental.

 


[1] EIZIRIK M, BERGMANN DS. Ausência Paterna e sua Repercussão no Desenvolvimento da Criança e do Adolescente: Um Relato de Caso. Rev psiquiatr Rio Gd Sul [Internet]. 2004

[2] ARAUJO, G. B. DE .; SPERB, T. M.. Crianças e a construção de limites: narrativas de mães e professoras. Psicologia em Estudo, v. 14, n. 1, p. 185–194, jan. 2009.

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