Livros feitos por alunos auxiliam no desenvolvimento educacional
Atividade do programa Amigos do Futuro envolveu estudantes do ensino fundamental
Se para o editor norte-americano Henry Beecher (1813- 1887) “uma casa sem livros é como um quarto sem janelas”, alguns adolescentes de Luiz Antônio, Rincão e Guatapará estão aprendendo a construir as suas próprias passagens para o mundo exterior. Eles participam do Amigos do Futuro, programa realizado pela Votorantim Celulose e Papel (VCP) em parceria com o Instituto Votorantim e o Canal Futura. Por meio do projeto, publicaram livros sobre temas variados, que relatam parte de seu aprendizado.
Na Escola Municipal de Ensino Fundamental e Técnico de Química, em Luiz Antônio, a “janela” construída dá acesso a um mundo de sensibilidade. Intitulado “Emoções em Ação”, o livro reúne cem poesias de 80 alunos de 6ª a 8ª séries. “Optamos pela poesia porque muitos alunos tinham resistência à leitura. Mas, por causa da sonoridade que ela tem, a poesia aproximou essa turma das letras”, comemora a professora Cristina Gasparini.
A opinião é compartilhada pela aluna Carolina Garcia. “Conheço alguns colegas que não tinham o hábito da leitura, mas começaram a gostar mais por causa da poesia, que encanta mais”, revela. A amiga Thais Vieira Castilho tem a explicação desse “encantamento”. “Quando a gente lê ou escuta a poesia, dá a impressão de experimentar o sentimento que o autor teve ao escrevê-la”, imagina.
Mesmo sendo admiradora do gênero literário há um bom tempo, Carolina não esconde que aprendeu mais. “Percebi que a construção poética está em várias coisas, como na música”, diz.
Nas outras duas escolas, as “janelas” mostram um cenário em que predominam o meio ambiente e a preocupação com a preservação dos recursos naturais. Em Rincão, na Escola Municipal de Ensino Fundamental Maria Inês Menin Biffi, o livro, escrito por alunos da 4ª série, enfatiza a geração e a gestão dos resíduos sólidos.
Sob o título “O lixo nosso de cada dia”, os adolescentes relataram todo o trabalho de pesquisa realizado e as ações da Patrulha Ecológica, que percorreu a vizinhança da escola recolhendo dejetos. “Além do aprendizado sobre o lixo, escrever o livro proporcionou melhora na redação e no relacionamento dos alunos, que trabalharam em grupos”, revela a docente Nisete Rodrigues D’Andrea.
Participar do projeto também influenciou o dia-a-dia na casa de alguns alunos. Mateus Loreto, por exemplo, conversa muito em casa sobre os três erres (reciclar, reutilizar e reduzir o lixo). “Digo sempre que não pode jogar lixo na rua ou fora da janela, porque polui e atrai bichos, podendo até provocar enchente”, explica.
Em Guatapará, na Escola Municipal de Ensino Fundamental Profª Andréa Sertori Sandrin, mais de 150 adolescentes da 5ª série escreveram sobre o uso consciente da água. “O fato de saberem que aquele trabalho viraria um livro impulsionou a turma para se aprofundar nas pesquisas, o que fortaleceu muito o conhecimento deles. Isso certamente influenciará a comunidade com que eles interagirem”, comenta a professora Sheila Aparecida Missi de Paula. A escola recebeu cerca de mil exemplares, e metade ainda está disponível à população.
Apoiando projetos que promovam impacto direto na sociedade, a VCP definiu o jovem como público-alvo. A intenção da empresa é que o desenvolvimento desses livros marque a trajetória de cada um dos estudantes participantes. “A criança e o adolescente que tomam gosto pela leitura levarão esse hábito para o resto de suas vidas e procurarão incentivar outras pessoas nesse mesmo caminho”, acredita Rosa Maria Thiene, consultora de comunicação da empresa.