MEC quer maior número de alunos especiais na rede federal de ensino
O Ministério da Educação está trabalhando para proporcionar maior acesso dos portadores de necessidades especiais no ensino técnico profissional. Um encontro, na última sexta-feira (11), pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), discutiu experiências bem sucedidas de projetos de educação tecnológica e profissional para pessoas com necessidades especiais.
O encontro reuniu representantes dos centros federais de educação tecnológica (Cefets) de Bento Gonçalves (RS), Mato Grosso, Minas Gerais, Pará, Rio Grande do Norte, Paraná, Amazonas e Santa Catarina, além de dirigentes do Instituto Nacional de Surdos (Ines) e do Instituto Benjamin Constant, ambos sediados no Rio de Janeiro.
Dentre as experiências apresentadas, foi destaque a do Cefet de Bento Gonçalves, que montou um currículo voltado para a educação especial. Já o Cefet do Paraná está oferecendo o curso de ergodesign aplicado à tecnologia, em que onde os alunos desenham objetos e móveis para portadores de necessidades especiais.
Em grande parte dos Cefets está sendo montado em suas estruturas o Programa de Educação, Tecnologia e Profissionalização para Pessoas com Necessidades Especiais (Tec Nep), ligado à Secretaria de Educação Profissional e Tecnológica (Setec/MEC) e à Secretaria de Educação Especial (Seesp/MEC).
Segundo a coordenadora de planejamento da secretaria de Educação Especial, Kátia Maragon, para proporcionar maior acesso de portadores de necessidades especiais a esses cursos, o MEC tem investido na educação especial do ensino fundamental e na formação de professores. "A intenção é investir mais no ensino fundamental para que os alunos portadores de necessidades educacionais especiais tenham maiores condições de produção de conhecimento", explica.
Segundo Kátia, o MEC está trabalhando também para fazer adequações nas provas de ingresso ao ensino técnico e profissional: "o deficiente auditivo precisa ter mais tempo de prova, precisa, por exemplo, de intérprete". Dados do ministério indicam que, hoje, estudam 849 alunos especiais na rede pública federal, a maioria no Ines e IBC.
No Cefet do Rio Grande do Norte, alunos com deficiência visual e pessoas com dificuldades de aprendizagem conseguiram dominar a difícil arte de fazer jóia. Dezenas de alunos com necessidades educacionais especiais foram e continuam sendo capacitados pelo Cefet do Piauí, na capital e interior do estado. No Rio Grande do Sul, o Colégio Técnico Industrial Rio Grande criou um dicionário digital de referência unificado da Língua Brasileira de Sinais (Libras).
Em Natal (RN), o Colégio Técnico Industrial Professor Mário Alguati oferece cursos de informática em diversos níveis, para alunos com deficiência física e auditiva. Os professores desenvolveram um software especial e um dicionário referência unificado da Libras. Já a Escola Agrotécnica Federal (EAF) de São Luís (MA) criou um núcleo do Tec Nep que terá como meta possibilitar a inserção de portadores de necessidades educacionais especiais na escola.