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Será que a aprovação automática, foco da propaganda televisiva do candidato petista ao governo do estado, é o melhor tema para sensibilizar o eleitorado de São Paulo?
As inserções na televisão do candidato do PT ao governo de São Paulo, Aloizio Mercadante, têm tratado em geral de um único tema: educação. Na verdade, o petista aparece nas peças de 15 segundos para dizer que vai acabar com a “aprovação automática” e que, com ele, “seu filho vai aprender de verdade”.
Obviamente que o mote da campanha não está ali à toa. Talvez esta seja a área que mais retrocedeu durante os quase 16 anos do tucanato em São Paulo e é mal avaliada nas pesquisas qualitativas. No ranking de salários entre estados, os professores da rede pública paulista têm a 14ª remuneração do país, sofrem com uma política que joga em suas costas a responsabilidade pela baixa qualidade do ensino e não dispõem às vezes de material básico em sala de aula. Cerca de 46% dos docentes trabalha sob contrato precário, mais que o dobro da média nacional.
Continuar com dados sobre a péssima situação dos professores e do ensino no estado mais rico da federação é desnecessário e a campanha de Mercadante certamente os tem aos montes. Mas o foco da propaganda televisiva é a tal “aprovação automática”. Será que o resultado tem sido efetivo?
Embora sempre apareça com destaque nas pesquisas, os resultados eleitorais evidenciam que a educação é, na verdade, uma falsa preocupação para a maioria do eleitorado. Que o diga Marta Suplicy que, mesmo com a grande experiência que foram os CEUs em São Paulo, perdeu duas eleições seguidas na capital. No caso específico da aprovação automática, a desatenção dos eleitores também pode se relacionar a uma simples questão numérica, como lembra este post. Segundo dados de 2008, 46% dos estudantes que estão matriculados no ensino fundamental estão na rede estadual, ou seja, a soma perde para os alunos das redes municipais e escolas particulares. Somando-se aos estudantes de ensino médio e de Escolas Técnicas, o total não chega a 4,5 milhões.
Parece um grande número, mas para um estado que tem uma população estimada em 2009 de 41,3 milhões de pessoas não é tanto. Levando em consideração o fato de que boa parte dos pais não se interessa realmente pela educação dos filhos ou às vezes, por conta da própria escolaridade baixa, nem sempre consegue aferir a qualidade do ensino oferecido, vê-se que a grita contra a aprovação automática não sensibiliza a maior parte dos eleitores.
Quem então se importaria com tal discurso? Como lembra o Rovai aqui, talvez os próprios estudantes. E, nesse caso, a reação à propaganda petista é negativa e pode refletir o desempenho de Mercadante na faixa dos eleitores entre 16 e 24 anos. Segundo o último Datafolha, Alckmin tem nesse segmento 57% das intenções de voto, enquanto o petista amarga seu pior desempenho, com 15%.
Está claro que a campanha não conseguiu levar ao eleitor aquilo que pensa o candidato. Nas inserções televisivas, tem-se a impressão de que Mercadante vai trazer de volta a reprovação, um conceito pedagógico equivocado, traumatizante e que contribui para a evasão escolar. No entanto, o próprio candidato já manifestou que não é contra a progressão por ciclos, idealizada, aliás, por Paulo Freire, que implantou o modelo na rede municipal de São Paulo no último ano da gestão Luiza Erundina (1989-1992). A diferença é que, antes da implementação, foram criadas as condições de um modelo que hoje é copiado com variações em diversas partes do mundo, mas cuja aplicação foi deturpada na gestão tucana paulista. Misturam-se alhos com bugalhos, o eleitor não entende e, quando entende, entende mal.
Falhas e brechas nas mais que questionáveis gestões do PSDB no estado existem aos montes. Bater só em uma tecla, e sem explicá-la ao eleitor, é perder um tempo precioso, ainda mais contra um adversário que sabe que sua grande chance na eleição é vencer por nocaute, ou seja, no 1º turno.
(Envolverde/Revista Fórum)
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