19/11/2003

Metade das escolas públicas da Amazônia Legal não tem luz elétrica

Na Amazônia Legal, que engloba os sete Estados do Norte, mais o Mato Grosso e o Maranhão, 819 mil alunos da educação básica da rede pública estudam em escolas sem energia elétrica. Esses estabelecimentos de ensino correspondem à metade dos existentes na região, atendem 11% das matrículas e quase todos (99,6%) estão na zona rural.

O estudo Subsídios para eletrificação das escolas de educação básica da Amazônia Legal foi realizado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep/MEC). O trabalho mostra que as escolas sem energia elétrica são pequenas, com menos de 40 alunos, em média. Esses estudantes, do ponto de vista pedagógico, estão impedidos de usufruírem de equipamentos importantes no processo de aprendizagem como computador, Internet, televisão e vídeo, e a escola não pode participar de programas como o TV-Escola do Ministério da Educação.

Além de impossibilitar o acesso a esses equipamentos, a falta de energia elétrica não permite a expansão, principalmente, do ensino médio e da educação de jovens e adultos no período noturno. “É uma situação prejudicial para uma região com grande contingente de analfabetos e de pessoas de baixa escolaridade”, adverte o estudo.

A maior quantidade de matrículas em escolas sem energia elétrica está no Pará e no Maranhão: 322,5 mil alunos e 268,4 mil, respectivamente. Juntos totalizam 72% dos estudantes da Amazônia Legal em estabelecimentos sem luz. Os dois Estados concentram 58% dos matriculados na educação básica da região, que é de 7,7 milhões.

Como forma de solucionar o problema, o governo federal anunciou, na semana passada, o Programa Luz Para Todos. Uma das prioridades do programa será atender escolas públicas e centros de saúde. A meta do programa, orçado em R$ 7 bilhões, é levar, até 2008, energia elétrica a 12 milhões de brasileiros.

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