Mídia e escola têm de mudar para reduzir violência
Mudanças na programação da mídia e no conteúdo escolar e a regulamentação de dispositivos do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) podem reduzir a violência. As medidas foram defendidas durante debate sobre a redução da maioridade penal, transmitido na última sexta-feira pela TV Câmara.
O tema foi debatido pelos deputados Luiz Eduardo Greenhalgh (PT-SP), presidente da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara, e Vicente Cascione (PTB-SP), relator do grupo de trabalho sobre os projetos relativos à redução da maioridade penal, pela subsecretária dos Direitos da Criança e do Adolescente, Denise Paiva, e pelo rabino Henri Sobel.
Denise Paiva disse que é "impostergável" a aprovação da lei que vai definir as medidas sócio-educativas para adolescentes e crianças infratores. "Nós estamos tratando esses meninos de forma brutal", afirmou a secretária, ao lembrar que, desde a aprovação do ECA, há 13 anos, o Estado não tem comparecido para educar e oferecer oportunidades. Mas para punir.
A mudança dos paradigmas culturais da sociedade é outro caminho necessário, defendeu o deputado Vicente Cascione. "A grande contradição é que a mesma mídia que faz campanha pelo desarmamento veicula programas que destacam a banalidade, a inutilidade ou a violência gratuita como babá eletrônica das crianças".
O rabino Henri Sobel recuou de posição manifestada na semana passada a favor da adoção da pena de morte no Brasil. Ele disse que defendeu a pena capital em momento de "extrema emoção". Os demais debatedores defenderam o cumprimento do ECA para diminuir os índices da violência que vitima jovens brasileiros de todas as classes sociais. Greenhalgh cobrou responsabilidade do rabino, ao lembrar que ele é referência na luta por direitos humanos e não pode ser movido pela emoção em suas declarações.