Ministério vai estimular cotas para estudantes negros
Em 30 dias, o Ministério da Educação vai apresentar propostas de ações afirmativas para vencer a discriminação racial. A afirmação é da assessora especial do ministério, Maria José Rocha, ao participar de audiência na Comissão de Educação e Cultura da Câmara dos Deputados. "Umas das propostas é oferecer incentivos financeiros para as universidades que adotarem o sistema de cotas para estudantes negros", antecipou. Maria José disse que também já está na Casa Civil da Previdência o projeto que vai fornecer bolsas de estudo a alunos negros e carentes do ensino superior.
Ela explicou que a primeira meta do grupo interministerial que analisa o tema é vencer a resistência sobre a reserva de vagas para os negros. O grupo, segundo informou, já identificou nove argumentos contra as cotas. Entre eles a de que a cota provocaria uma queda na qualidade do ensino, uma vez que os alunos que entraram pela reserva pode não ter a mesma qualificação de quem entra pelo vestibular.
"Isso não é verdade. Os afrodescententes são tão capacitados e inteligentes quanto os brancos, o que falta é oportunidade", defendeu o deputado Luiz Alberto (PT-BA), presidente da Frente Parlamentar em Defesa da Igualdade Racial. O deputado destacou que universidades estaduais do Rio de Janeiro e da Bahia, além da Universidade de Brasília, já adotam com sucesso a política de cotas para afrodescendentes.
A impossibilidade de se identificarem os alunos negros, a discriminação às avessas e a dificuldade de o mercado de trabalho aceitar alunos formados por reserva de cotas são outros argumentos contra as cotas a serem combatidos pelo grupo.
A representante do Sindicato dos Estabelecimentos Particulares de Ensino do Distrito Federal, Amábile Pacios, levou à comissão os números sobre o Brasil negro e o branco. Ela disse que do total de estudantes universitários no país, apenas 2% são negros e o número é ainda menor (0,5%) quando se trata de universidade pública. Pacios informou ainda que um jovem branco de 25 anos tem em média 2,3 anos de estudo a mais que um negro.