Ministro defende a renovação da universidade
A universidade completa mil anos de existência e tem de se abrir, reformulando sua estrutura interna, a dos cursos, e sua relação com a sociedade para não acabar como instituição. Essa é a necessidade que o Seminário Internacional Universidade XXI, que começou na terça-feira e encerra na quinta-feira, 27, deve atender, segundo o ministro da Educação, Cristovam Buarque, primeiro conferencista do encontro que reúne 1200 participantes e 70 convidados internacionais.
O ministro reafirmou que a educação superior é dever do Estado e deve ser gratuita: "Isso é tão verdadeiro como o estudo que indicou que o investimento público em educação superior atende apenas 10% da população que estão no topo da pirâmide, com renda mensal de R$ 2.000,00 e como é verdadeiro que deve haver retorno desse investimento para o público".
Cristovam defendeu que a universidade brasileira possa formar alunos que façam estágios, por exemplo, voltados para os trabalhos comunitários nas áreas que estudam. "Sem legitimar a universidade não conseguiremos mais recursos para educação superior. Pode haver muito lobby parlamentar, mas sem a legitimidade social, o setor não conseguirá mais recursos", disse.
Para ele, o Brasil é a sede do seminário porque o País é o melhor retrato da civilização contemporânea. Ao mesmo tempo, considera que o Brasil tem o privilégio de "querer e poder mudar, uma vez que a sociedade escolheu a mudança".
Defendeu, ainda, uma universidade aberta, que preste serviço público, reformule os cursos e a estrutura, e mantenha o aluno sempre informado e que ex-aluno é somente aquele que abandona a profissão. "Temos de levar os temas para a universidade. Saúde, por exemplo, não cabe apenas no curso de medicina. Ao mesmo tempo, um aluno que sai do pós-graduação tem a bibliografia superada imediatamente, e a universidade tem que ser permanente".
Lembrou que quando foi criada, na Idade Média, a universidade contribuiu para avançar contra o obscurantismo. "Hoje, ela é a maior mantenedora das desigualdades sociais e da dessemelhança humana", afirmou. "A universidade européia forma os profissionais que mais contribuem para a destruição do meio ambiente. Os que saem das universidades norte-americanas, constroem as armas inteligentes", complementou.
Apesar de investir menos de 1% do PIB em educação, o Brasil é o 17º na corrida da produção de pesquisa no mundo. Em dois anos, entre 2000 e 2002, cresceu 1000%, mas levou 45 anos para saltar um ponto no ranking. (MEC)