09/10/2026

Miséria dos Fiéis, Luxo dos Pastores: A Engrenagem da Teologia do Domínio

Por Wolmer Ricardo Tavares – Mestre em Educação e Sociedade, Escritor, Palestrante e Docente – www.wolmer.pro.br

Currículo Lattes http://lattes.cnpq.br/9745921265767806

 

As pessoas com o mínimo desejável de sinapse cognitiva entenderão que as expansões evangélicas neopentecostais foram instigadas pelos Estados Unidos como estratégia geopolítica e ideológica no decorrer da Guerra Fria. O intuito era combater a Teologia da Libertação trabalhada pela Igreja Católica e o comunismo — sistema socioeconômico que assombra até hoje os mais imbecilizados e desprovidos de discernimento.

Observe que a Teologia da Libertação caminhava de forma favorável ao combate à desigualdade, à injustiça social e à libertação física e política dos pobres e oprimidos, encontrando voz no ilustre educador Paulo Freire em seu livro Pedagogia do Oprimido.

Dito isso, a Teologia da Libertação foi substituída nas igrejas neopentecostais pela Teologia do Domínio[1], que usa o braço forte de uma religião estruturada pelo medo como forma de controle das massas. Estas massas delegam o ato de discernir para o seu pastor, que, por sua vez, está afogado no lodo da corrupção, da luxúria, da avareza e da soberba, sendo os verdadeiros "mordedores de pilar"[2].

Interessante pontuar que a Teologia do Domínio é bem balizada pela Teologia da Prosperidade, o que implica dizer que, se o fiel não enriqueceu, é porque ele não trabalhou o suficiente e não agradou a Deus como deveria. E esse agradar ocorre ofertando cada vez mais dízimos, dentre outras contribuições para a instituição ou para o próprio pastor[3].

Trata-se de uma verdadeira manipulação na qual a miséria do evangélico será a riqueza do pastor. Esse sistema terá como pedra angular o medo de ser castigado por um “deus” em uma dissonante visão capitalista. Trata-se, metaforicamente falando, do deus Mamom, que representa a avareza, a ganância e a busca excessiva pelo lucro — lucro que dará subsídios para a ostentação de templos luxuosos, jatos particulares, viagens internacionais e carnes banhadas com ouro em pó, dentre outras benesses, enquanto seus fiéis atravessam o inferno da miséria.

Qualquer pessoa que tenha discernimento ou autonomia intelectual perceberá que as igrejas neopentecostais não se preocupam com as diferenças sociais. O seu cerne está em combater a Teologia da Libertação e promover a ideologia de mercado. Vale lembrar que, durante a ditadura militar no Brasil, os governantes militares perseguiram, prenderam e torturaram católicos progressistas, enquanto facilitavam a entrada e a consolidação de agências missionárias oriundas dos Estados Unidos, oferecendo isenções fiscais (o que prevalece até hoje), terrenos públicos e facilidade na mídia. Tudo isso porque o objetivo dessas missões era contribuir com o controle social e o alinhamento político a longo prazo. Hoje, percebe-se que a estratégia está dando seus amargos frutos para a sociedade.

As igrejas neopentecostais flertam com o nazifascismo e abdicaram completamente do verdadeiro evangelho — que é amar ao próximo como a si mesmo —, embutindo uma visão maniqueísta na qual fazem valer como única religião verdadeira a ligada ao neopentecostalismo, enquanto as demais são heresias[4], embora, pela ignorância, desconheçam a morfologia da palavra.

Observe: as pessoas que criticam Paulo Freire são todas ligadas a movimentos nazifascistas. Isso porque ele instigava o aluno a estudar, pois sabia que o conhecimento é libertador. E assim tem que ser a nossa educação: libertadora, como foi ensinado e deixado como legado por Paulo Freire[5].

 


[1]http://www.gestaouniversitaria.com.br/artigos/educacao-e-teologia-do-dominio-repercussoes-na-sociedade-contemporanea

[2]http://www.gestaouniversitaria.com.br/artigos/mordedores-de-pilar-quando-a-fe-e-instrumentalizada-pela-politica

[3]http://www.gestaouniversitaria.com.br/artigos/educacao-e-teologia-do-dominio-repercussoes-na-sociedade-contemporanea

[4] http://www.gestaouniversitaria.com.br/artigos/escola-de-hereges-o-conhecimento-como-pratica-da-liberdade

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