05/08/2010

Municípios de SP são classificados por eficiência na educação

Pesquisa da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade de Ribeirão Preto (FEARP) da USP identificou o nível de eficiência de escolas municipais do Estado de São Paulo. O objetivo foi analisar como elas poderiam otimizar seus resultados e poder contribuir para a formulação de políticas voltadas para a melhoria dos sistemas municipais de educação.
Municípios tiveram educação avaliada quanto à eficiência do Ensino Fundamental

O estudo Eficiência dos sistemas municipais de educação no Estado de São Paulo, do economista Cleverlânio Silva Gomes, avaliou comparativamente o Ensino Fundamental. Os municípios mais eficientes foram classificados com índice máximo 1 e, a partir daí, os outros receberam suas notas. “Deste modo, a medida de eficiência técnica é relativa, isto é, cada município é analisado em relação aos demais”, explica. A pesquisa foi orientada pelo professor Walter Belluzzo Júnior, do Departamento de Economia da FEARP.

Para classificar a eficiência técnica de um colégio, foram consideradas duas variáveis: as de insumo e as de produto. As primeiras se referem à presença de laboratório de informática e biblioteca, proporção entre alunos e funcionários e entre alunos e professores, percentual de professores do ensino fundamental com ensino superior e razão gasto/aluno. As variáveis do produto escolar consideram as notas obtidas nos exames de proficiência em matemática e português, o número de matrículas no ensino fundamental e a taxa de aprovação.

Dos 454 municípios avaliados, 93 foram identificados como 100% eficientes, ou seja, apresentaram índice igual a 1, como São Paulo, São José dos Campos e Guarulhos. Entre os mais baixos índices, com valores entre 0,8 e 0,85, se encontram as cidades de Cubatão, Pirassununga e Trabiju, com a mais baixa eficiência encontrada. Gomes ressalta que, apesar de numericamente o valor não ser tão baixo, o resultado 0,8 não é satisfatório em comparação a outros municípios de referência.

Depois de estabelecida a eficiência técnica, é possível melhorá-la sem que, necessariamente, a escola aumente seus gastos, apenas utilizando o que está subutilizado. “Há espaço para aumentar os resultados educacionais mantendo os níveis de insumos existentes”, destaca Gomes, que completa: “As características institucionais e individuais de cada município também devem ser consideradas.”

Influência socioeconômica

Em outra etapa da pesquisa, Gomes analisou como as condições socioeconômicas dos alunos e de suas famílias influenciam os índices de eficiência dos sistemas municipais de educação. Os aspectos mais significativos e com maior impacto positivo foram a escolaridade das mães, a parcela de alunos que nunca reprovaram de ano, a parcela dos que realizam o dever de matemática e o tamanho do Produto Interno Bruto (PIB) da cidade. “Estes resultados confirmam o que vem sendo apontado pela literatura econômica, de que os fatores socioeconômicos têm forte influência sobre os resultados educacionais”, pondera Gomes.

O economista explica a motivação para o trabalho em função da “importância que o nível educacional de uma sociedade desempenha para o processo de desenvolvimento, crescimento econômico e criação de emprego”. Além disso, Gomes aponta que, embora nas últimas décadas a educação no Brasil tenha apresentado melhorias relevantes, os resultados em exames internacionais de desempenho são insatisfatórios, justificando o estudo.

(Envolverde/Agência USP de Notícias)

 
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