O Bolsa Família e a Educação como Antídotos ao Apartheid Social
Por Wolmer Ricardo Tavares – Mestre em Educação e Sociedade, Escritor, Palestrante e Docente – www.wolmer.pro.br
Currículo Lattes http://lattes.cnpq.br/9745921265767806
O apartheid social se fundamenta na separação e exclusão de grupos populacionais em vulnerabilidade social, tendo como critérios a classe social, o poder aquisitivo e/ou a raça. Observe que o termo apartheid refere-se a um regime de segregação, e a sua aplicação no contexto social tem forte relação com as desigualdades e com a forma como elas impedem o acesso aos direitos básicos que deveriam ser garantidos pela Constituição de 1988, apesar de estarem registrados nela.
Ao estudarmos as desigualdades em nosso país, percebemos que um terço da população é formada por brasileiros esquecidos tanto por políticos, que deveriam lutar por eles, quanto por intelectuais. Essa população marginalizada é mantida nessa condição como estratégia para a perpetuação do poder, já que é formada por pessoas com alto índice de analfabetismo funcional e, em grande parte, despidas de consciência de classe e política, o que facilita a manipulação por parte dos opressores.
O fato é que a miséria é produzida e mantida intencionalmente por meio da precarização das escolas e hospitais, e até mesmo pelos ataques constantes aos profissionais da educação, expressos na sua má remuneração e na falta de reconhecimento. O medo de mudança é reforçado pela teologia do domínio e pelo apoio da truculência policial, inibindo ações e dizimando vidas de forma arbitrária e banalizada, na qual a morte é vista apenas como o "cancelamento de um CPF" que nada fez de produtivo. É uma forma de impor a eugenia, mostrando uma suposta superioridade da raça branca e subjugando os pretos e pobres à mediocridade, restando-lhes, como consolo, alguns olhares recheados de demagogia e esperanças estéreis.
Uma forma de resguardar a dignidade dessa população segregada é por meio do Bolsa Família, que tem um papel de suma importância ao retirar as famílias da situação de pobreza e extrema pobreza. O programa garante uma renda básica, mesmo que mínima, para que esse ciclo seja rompido. Infelizmente, trata-se do programa social mais atacado por quem não quer ver esse tipo de mudança, já que o lucro de suas organizações provém desse tipo de miséria. Obviamente, até mesmo pessoas que se beneficiam dessa bolsa de forma estulta a criticam; isso ocorre porque elas, por um problema de sinapse cognitiva, ecoam imbecilidades ditas por influenciadores e políticos que, maldosamente e de forma falaciosa, atacam esse tipo de benefício social.
É sabido que o Bolsa Família é uma forma de oferecer alívio imediato à pobreza e acesso aos direitos básicos, além de promover a emancipação e a cidadania por meio do desenvolvimento e da proteção social. Contudo, é notório que, por mais que se expliquem os inúmeros benefícios, sempre encontraremos um ardiloso político que, de forma vil, exporá suas mentiras para seguidores pouco esclarecidos.
Interessante pontuar que a desumanização é fundamental para essa estratégia, e a desinformação é a ferramenta mais ardilosa usada por essas figuras. Elas convencem o pobre e o miserável de que a sua miséria é vital, enquanto ele serve ao enriquecimento de seu algoz apenas como um número inserido em uma planilha eletrônica. Essa dinâmica contribui para lucros cada vez mais exorbitantes, em uma equação na qual não existe o reconhecimento de sua mão de obra — ou seja, de sua mais-valia.
Por isso, é importante que os professores — que são vistos como "doutrinadores" por críticos de todo e qualquer programa social — trabalhem de forma a esclarecer e desenvolver o discernimento em seus alunos. O objetivo é fazer com que eles saiam desse status quo que os leva à inércia e, concomitantemente, a uma subalternidade frágil e docilizada. Precisamos instigar a criticidade e a leitura da realidade, além de fomentar mudanças para que esse um terço da população segregada possa se tornar composto por agentes protagonistas e cognoscentes. Assim, eles poderão crescer e alcançar os sonhos que lhes foram roubados por essa elite manipuladora.