27/07/2026

O Caso Argentina: O Futebol como Antiexemplo Pedagógico

Por Wolmer Ricardo Tavares – Mestre em Educação e Sociedade, Escritor, Palestrante e Docente – http://www.wolmer.pro.br

Currículo Lattes http://lattes.cnpq.br/9745921265767806

 

A Copa do Mundo é o maior torneio internacional de futebol do planeta e é organizada pela FIFA (Fédération Internationale de Football Association - Federação Internacional de Futebol) desde 1930. Trata-se de um evento que ocorre de quatro em quatro anos, representando a união e a cultura global por meio de uma linguagem universal, já que o futebol, como esporte, aproxima pessoas de diferentes línguas, raças e culturas e, em concomitância, promove a permuta entre culturas buscando a harmonia de ideias.

Trata-se de um evento que mexe com o sentimento de pátria e com a paixão coletiva, instigando a união entre amigos, familiares e povos de diversas nacionalidades. Isso ocorre porque, algumas vezes, um jogador de uma seleção joga o seu futebol em times de outros países, conquistando, assim, torcedores de outras nacionalidades.

A Copa do Mundo pode ser trabalhada na educação pública, balizada, inclusive, pela Base Nacional Comum Curricular (BNCC), desenvolvendo, assim, competências socioemocionais e projetos interdisciplinares — como diversidade cultural e geopolítica, matemática e estatística, educação física e habilidades motoras —, em uma formação integral na qual serão oportunizados aos discentes o respeito pelas diferenças culturais e de raças, a convivência pacífica e o aprender a lidar com pressões, derrotas e vitórias.

E, com base nessas informações, tivemos bons e maus exemplos, mas o que mais ecoou foi a postura da seleção da Argentina. Isso porque ela destoou do que a educação busca desenvolver em seus alunos; faltou nessa seleção o espírito esportivo na derrota, demonstrando desdém pelo adversário, virando as costas e ignorando a cerimônia de consagração da seleção campeã, que neste ano de 2026 foi a Espanha, além de praticar um futebol violento, não vendo os jogadores de outras seleções como adversários, mas sim como inimigos.

Infelizmente, a seleção da Argentina, bem como seus torcedores, foram flagrados cometendo graves insultos racistas, e o seu maior líder, que é o jogador Messi, com sua indiferença e má liderança, foi simplesmente conivente com essas ações nefastas causadas pelo racismo[1].

Vale ressaltar que, por ser um evento de união entre raças e nacionalidades, trata-se de um momento em que é proibida qualquer tipo de manifestação política indevida, mas a delegação da Argentina violou esse tratado disciplinar da FIFA: no dia em que jogou com a seleção da Inglaterra, foi levantada uma faixa com a seguinte frase: “las Malvinas son argentinas”, o que causou um atrito diplomático entre Inglaterra e Argentina.

O mais triste foi que a Copa do Mundo é um momento em que todos estão em sua igualdade, isto é, com a mesma oportunidade, mesmo tendo uma seleção com um futebol menos ofensivo, mas com os mesmos sonhos de chegar à disputa de uma final. Todavia, a FIFA, que era para ser uma instituição imparcial, mostrou-se tendenciosa e leviana, dando privilégios e blindagem aos jogadores argentinos, prejudicando outras seleções, como Cabo Verde e Egito, com erros gritantes de arbitragem e favorecimentos à seleção argentina por meio de uma arbitragem permissiva com faltas que deveriam ter sido expulsão, mas que sequer passaram de um tiro direto; em contrapartida, jogadores argentinos simulavam faltas e pediam cartões, o que era acatado pelos juízes.]

E assim foi até essa seleção — que representou um futebol violento, antiesportivo e racista — enfrentar uma seleção bem preparada que, apesar de um juiz conivente e tendencioso a favorecer mais uma vez a Argentina, encontrou a seleção da Espanha, que trouxe para o público um aprendizado estrutural e comportamental, como excelência psicológica, inteligência emocional, dignidade e respeito no sucesso.

E assim foi a Copa do Mundo de 2026: um evento com cartas marcadas, mas no qual uma seleção que teve o seu foco conseguiu desconsiderar tudo o que estava prometido e venceu a todos. Venceu a Argentina; venceu o juiz que cancelou dois gols e continuou permissivo com a seleção adversária; venceu a FIFA, que fez de tudo para que a Argentina se consagrasse campeã — tanto que, no final da Copa, os fogos e fumaças eram azul e branco, e não vermelho como a cor da seleção campeã —; venceu todo o sistema corrupto.

Dito isso, muitos torceram contra a Argentina, pois essa seleção em momento algum representou a América Latina, formada por diversas culturas e raças. Ela apenas representou um futebol violento, antidesportivo, corrupto, racista, enfim, representou a escória de uma elite, e um mito conhecido como Messi que, apesar de ter um bom futebol, fez explicitar seu desvio de caráter.

Assim tem sido a vida de muitos que são postos às margens das decisões. O sistema jogará contra e favorecerá pessoas que o representam, mas será por meio da educação, do conhecimento, da autonomia intelectual e do protagonismo cognoscente que as pessoas vencerão na vida, não com ações vis para chegarem onde pretendem, mas com dignidade e ética, fazendo a diferença para si mesmas e para o seu entorno.

 

[1] https://diplomatique.org.br/lionel-messi-e-o-silencio-que-grita-ao-mundo-sobre-aquilo-que-nao-e-dito

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