23/11/2006

O ensino noturno e o desenvolvimento de competências


Dados do último Censo da Educação Superior de 2004 apontam que cerca de 60% dos estudantes universitários estão matriculados em cursos noturnos. Entre as várias contestações ao ensino noturno ressalta-se o fato do rendimento do estudante ser prejudicado pela dupla jornada: trabalho e estudo. Estaria, assim, este aluno alijado das boas oportunidades profissionais em disputas de vaga com alunos do turno diurno.

Porém, estudar e trabalhar podem ser, na verdade, uma grande oportunidade para o desenvolvimento de competências importantes para o desempenho profissional em muitas áreas de formação.

Entende-se que um dos papéis fundamentais de uma instituição de ensino superior é capacitar seus acadêmicos para ser portador e produtor de competências. O mercado de trabalho busca profissionais que usando de suas personalidades, saberes e habilidades exercitem suas funções com competência para mobilizar recursos e transferir conhecimentos e habilidades que agreguem valor econômico e social às organizações. Ressalta-se, porém, que somente com a efetiva atividade prática é que pode-se aferir se estas competências estão sendo desenvolvidas. Assim, o estudante-trabalhador teria a oportunidade de verificar seu desenvolvimento pelas oportunidades de trabalho a que está sujeito.

Outro aspecto a ressaltar é que nos últimos anos as organizações vêm buscando transformar suas políticas de recursos humanos, mudando de planejamento de carreira e postos do trabalho, para gestão de competências. Assim, as oportunidades de contratação e promoção passam pelo diagnóstico do conjunto de recursos de personalidade, de saberes, habilidades, na busca e implementação de soluções para os problemas das organizações. Percebe-se, então, vantagem a quem já se expõem a estas situações seja em estágios ou trabalho.

O ensino noturno só tem sentido justamente se o aluno exercita seu aprendizado em um local de trabalho. Obviamente que nem todas as carreiras devem proporcionar esta possibilidade e, também, existem diversos outros fatores que geram a necessidade de estudar à noite. Diante da necessidade, porém, deve-se tirar o proveito da situação e, para isso, é fundamental que as instituições de ensino estejam preparadas para proporcionar aos seus alunos não facilidades no processo de aprendizado mas sim acompanhamento do seu desenvolvimento de competências.

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