O Fim das Bets: Menos Ilusão, Mais Educação
Por Wolmer Ricardo Tavares – Mestre em Educação e Sociedade, Escritor, Palestrante e Docente – http://www.wolmer.pro.br
Currículo Lattes http://lattes.cnpq.br/9745921265767806
Como ressaltado em meu texto Educação e o Problema Social das Bets (2024) [1], os jogos têm dizimado famílias, roubado a dignidade de indivíduos e levado alguns jogadores ao suicídio devido ao endividamento extremo. É sabido que tais práticas implicam custos sociais e econômicos para o país, uma vez que as dívidas relacionadas às apostas reverberam em diversas áreas com drásticas consequências. Infelizmente, muitos influenciadores enriqueceram à custa da miséria de seus seguidores, ostentando um estilo de vida enganoso e atribuindo falsamente essa riqueza ao sucesso nos jogos.
Pesquisas recentes apontam que, somente nos últimos dois anos, as apostas retiraram R$ 143,8 bilhões do comércio brasileiro. Isso causa um impacto profundo tanto para os familiares endividados quanto para o comércio local, que deixou de movimentar a economia tradicional, visto que esse capital é drenado para fora do sistema produtivo.
Quem aposta nessas plataformas, em geral, não é quem tem dinheiro sobressalente, mas sim quem sonha em enriquecer de forma rápida e fácil — algo que não ocorre por vias éticas. Caso alguém tenha alcançado a riqueza em apenas quatro anos, aumentando seu patrimônio em mais de 10.000%, com certeza isso não decorreu do esforço do próprio trabalho, mas sim por estar inserido na política e afundado na corrupção, o que é inquestionável.
A realidade mostra que, salvo raríssimas exceções, uma pessoa pode ascender socialmente, saindo da pobreza ou extrema pobreza e tornando-se milionária da noite para o dia. Contudo, isso carrega uma probabilidade matemática de 1 em 50.063.860 (cerca de 0,000002%), o que representa uma chance ínfima, como ocorre no caso da Mega-Sena acumulada.
Atualmente, alguns influenciadores têm manifestado revolta quanto à decisão do governo em restringir ou extinguir as operações dessas plataformas, justamente porque deixarão de lucrar com o revés financeiro da população. É simples compreender essa dinâmica: esses indivíduos assinam contratos nos quais a remuneração é baseada no volume de perdas dos apostadores que eles atraem. Ou seja, eles lucram diretamente com o prejuízo alheio, motivo pelo qual esse tipo de acordo é conhecido informalmente como "cláusula da desgraça". Trata-se de uma comissão alta e proporcional ao dano causado às famílias: quanto maior o endividamento do indivíduo, maior o lucro do influenciador, que continua a instigar o jogo e a ostentar bens para simular uma falsa realidade de sorte.
Por fim, cabe pontuar que a via mais honesta e ética para a ascensão social é por meio do trabalho e da educação, distanciando-se da falácia da meritocracia ou da demagogia que prega a teologia da prosperidade. Afinal, é o acesso ao ensino que viabiliza que uma mulher quilombola, neta de avós analfabetos e filha de pais agricultores, consiga se formar em medicina[2].
[1] TAVARES, Wolmer Ricardo. Educação e o Problema Social das Bets. Revista Gestão Universitária. 1984-3097. 2024. Disponível em: < http://gestaouniversitaria.com.br/artigos/educacao-e-o-problema-social-das-bets>
[2] https://www.facebook.com/AmorporBXG/posts/aos-26-anos-carl%C3%BAcia-alves-ferreira-acaba-de-alcan%C3%A7ar-uma-conquista-que-encheu-d/1437890625168356/