21/10/2026

O impacto da internet, da inteligência artificial e da segurança online no ensino em Portugal

Jorge Barros

Pós-graduado e Mestre em Administração e Gestão Escolar, Doutor em Administração e Gestão Educativa e Escolar, Professor no 2.º Ciclo do Ensino Básico no Agrupamento de Escolas Alberto Sampaio (AESAS), Braga

 

 

Presentemente a internet, a Inteligência Artificial (IA) e a segurança online colocam imensos desafios à sociedade e como tal também ao setor da educação. De facto, o professor quando explora diversas ferramentas digitais, tais como por exemplo, o Mentimeter, o Kahoot, o Milage Learn +, o Padlet, o ChatGPT e o Gemini deve ter presente as estratégias adequadas a cada utilização. Por exemplo, deve explicar em que consiste cada ferramenta, pedir aos alunos para trazerem o computador, que lhes foi entregue pela escola, para a sala de aula e projetar no ecrã da mesma, por forma a explorar conjuntamente com os seus alunos a ferramenta que escolheu para a lecionação de um determinado conteúdo, assim como a pesquisar assuntos ou mesmo para a realização de trabalho de pares ou de grupo. Na minha opinião, o professor deve realizar a personalização do processo de ensino e de aprendizagem, ou seja, ajustar o ritmo de aprendizagem às necessidades individuais de cada discente, de acordo com o que pretende que eles aprendam e com as competências a adquirir e a desenvolver. Neste âmbito, o docente deve ter presente que a transição digital deve ser gradual, para que os alunos possam perceber e acompanhar a correta utilização de cada uma das ferramentas supracitadas, nunca se esquecendo de dar feedback a cada um dos seus alunos sobre este tipo de processo de ensino e de aprendizagem. Se assim o fizer e conseguir que os alunos o façam, sempre respeitando os diferentes ritmos de aprendizagem resultantes da heterogeneidade das turmas, por certo irá também conseguir otimizar o tempo letivo, o que lhe possibilitará complementar as aulas com partilhas de experiências entre todos os alunos, debates e partes expositivas, entre outras. Em todas as atividades realizadas pelos alunos, deve o professor proceder à respetiva avaliação com o recurso também a ferramentas digitais ou utilizando métodos tradicionais, de acordo com os critérios de avaliação da escola e da disciplina que leciona. Deve avaliar o impacto da internet nas aprendizagens dos alunos para saber se os mesmos estão a progredir ou a regredir no seu processo de ensino e de aprendizagem. As ferramentas citadas podem ser utilizadas pelos docentes com os seguintes propósitos:

- o Mentimeter para criar apresentações interativas e recolher respostas dos alunos em tempo real através da utilização dos computadores;

. o Kahoot e o Milage Learn + para realizarem exercícios da disciplina que o docente leciona. Por exemplo, no meu caso como professor do grupo 230 (Matemática e Ciências da Natureza) posso utilizar estas duas ferramentas para os alunos realizarem exercícios de Matemática e de Ciências da Natureza do 5º e do 6º ano de escolaridade;

- o Padlet para criar um mural digital interativo e colaborativo para recolher ideias, partilhar recursos e envolver os alunos em tempo real;

- O ChatGPT e o Gemini para elaboração de textos relativos aos conteúdos curriculares da disciplina em estudo.

A IA, em que o ChatGPT e o Gemini, são das ferramentas mais conhecidas e utilizadas, permitem diferentes aplicações na sala de aula com alunos. Além do que já citei, podem ainda ser utilizadas para se realizarem pesquisas sobre assuntos, para a elaboração de trabalhos individuais, de pares ou de grupos, para a criação de questões / exercícios pelos alunos, para eles próprios resolverem, entre muitas outras possibilidades. Estas ferramentas têm benefícios para os alunos, já que são motivadoras para eles, podem ajudá-los a construir o seu próprio conhecimento e contribuem para a otimização do tempo e para o aumento da sua autonomia. Na verdade, transformam o processo de ensino e aprendizagem, permitindo criar aulas mais dinâmicas, aprendizagens ativas, personalizar o estudo e aumentar a motivação dos estudantes. Como riscos, pode interferir de forma menos positiva no rendimento escolar dos discentes, na equidade social e na distração dentro da sala de aula. Além disto, o uso excessivo e sem intencionalidade pedagógica, das ferramentas da IA, está estatisticamente correlacionado com a redução do desempenho dos alunos em leitura e Matemática, tal como comprovam os dados do relatório PISA, elaborado pela OCDE em 2026. No meu caso concreto, por vezes, utilizo com os meus alunos o ChatGPT, o Gemini e o Milage Learn + de forma a proporcionar aos mesmos, aulas diferentes, poder personalizar o ensino, responsabilizá-los pela forma como exploram o conhecimento através destas ferramentas digitais e aos poucos poderem aumentar a sua autonomia no processo de ensino e de aprendizagem. Tudo o que acabei de referir, sempre que utilizo com os alunos estas ferramentas digitais em contexto de sala de aula, procuro dar-lhes feedback sobre a sua utilização e sensibilizá-los para os perigos e riscos que acarreta a sua exploração. Para isto, também concorrem as ações de sensibilização sobre cibersegurança que o comando metropolitano da Polícia de Segurança Pública de Braga leva a cabo na minha escola, dirigido aos alunos. Tudo isto, ajuda a sensibilizar os alunos para a correta e segura utilização da internet e da IA, protegendo os seus dados, assim como promove o seu uso responsável e o das redes sociais.

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