O Ópio de 2026: A atualidade de Marx na Política Brasileira
Por Wolmer Ricardo Tavares – Mestre em Educação e Sociedade, Escritor, Palestrante e Docente – www.wolmer.pro.br
Currículo Lattes http://lattes.cnpq.br/9745921265767806
Mais uma vez, a filosofia deve ser abraçada para o entendimento do nosso cotidiano. Uma forma de compreendermos a atualidade é pela frase de Karl Marx: “a religião é o ópio do povo”. Escrita entre 1843 e 1844, a máxima mostra-se atemporal no Brasil de 2026, aplicando-se perfeitamente ao contexto político nacional.
Para Marx, a religião funciona como um anestésico social, consolando os oprimidos diante da miséria real. Além de alienar, ela impediria a luta por mudanças concretas e pela felicidade real — esta última, muitas vezes, distinta daquela pregada por vertentes que utilizam a "teologia do domínio". Esse cenário é elucidado pelo conceito de Nietzsche sobre o controle por meio da "moral de rebanho", fundamentada na alienação dos fiéis.
Observe que a fé tornou-se uma forma de capitalização, favorecendo o enriquecimento de líderes religiosos que têm a política como pedra angular. Esse poder é amplificado pela bancada evangélica que, por vezes, subtrai a essência do comportamento cristão em favor de interesses escusos.
Quando fé e política se misturam, o resultado é desastroso para quem não está inserido nesse nicho, pois prevalecem a intolerância religiosa e a exclusão. Concomitantemente, ocorre a alienação dos fiéis, utilizados como "voto de cabresto" — vistos apenas como rebanho que obedece a pastores desprovidos de caráter.
Ao contrário do que muitos pensam, Marx não tentou simplesmente eliminar a religião; ele buscou trazer entendimento sobre como, quando usada de forma distorcida, ela se torna uma ferramenta de manipulação através do medo do subjetivo.
Assim, torna-se claro que instituições religiosas e políticas não deveriam se misturar. O passado recente exemplifica esse risco, com a presença de ministros "terrivelmente evangélicos" que transformaram o MEC em um balcão de negócios, envolvendo pagamentos em barras de ouro escondidas em Bíblias[1]. Outro caso que explicita o fundamentalismo distorcido foi a apreensão, pela Polícia Federal, de mais de R$ 460 mil em dinheiro vivo com parlamentar e líder religioso[2].
É claro que tais escândalos não podem virar regra. Existem religiosos cujo alicerce cristão visa, genuinamente, o bem comum e o auxílio à população em vulnerabilidade social.
Dito isso, cabe à educação formar cidadãos críticos e protagonistas cognoscentes. É preciso perceber que um líder religioso não deve induzir seus fiéis a votarem em "X" ou "Y" sob o pretexto de uma "luta do bem contra o mal". A educação deve realizar um esforço hercúleo para desmistificar falas manipuladoras, permitindo que o aluno, com discernimento e autonomia intelectual, compreenda que o voto deve ser guiado pela própria consciência — seja ela política, de classe ou de raça.
[1] https://g1.globo.com/politica/noticia/2022/04/05/prefeito-diz-a-senadores-que-pastor-cobrou-1-kg-de-ouro-em-troca-de-conseguir-verba-no-mec.ghtml
https://www.estadao.com.br/politica/propina-em-ouro-via-biblia-e-no-pneu-entenda-o-escandalo-dos-pastores-e-gabinete-paralelo-no-mec/
[2] https://www.youtube.com/watch?v=sHTSdtzpbTg
https://www.cnnbrasil.com.br/politica/valor-total-apreendido-com-sostenes-e-de-r-4697-mil-apos-balanco-da-pf/