18/08/2026

O Parasitismo Narrativo na Política: O Medo como Moeda Eleitoral

Por Wolmer Ricardo Tavares – Mestre em Educação e Sociedade, Escritor, Palestrante e Docente – http://www.wolmer.pro.br

Currículo Lattes http://lattes.cnpq.br/9745921265767806

 

Estamos em um período eleitoral e muitos eleitores sequer sabem como funciona o nosso Estado. Esses eleitores apenas ecoam imbecilidades de políticos que vivem de um parasitismo narrativo balizado no medo. Como agravante, trata-se de um medo irracional de algo que sequer conseguem conceituar, seja por falta de sinapse cognitiva, seja por pura estupidez.

Vale ressaltar que o Brasil é juridicamente definido como um Estado Democrático de Direito e a soberania nacional é um de seus pilares fundamentais. Para que esse regime democrático seja efetivo, faz-se necessário que o poder emane do povo, exercido por representantes eleitos por meio do voto direto, secreto, universal e periódico, a fim de que os eleitos possam cumprir o papel de servir à população.

A democracia garante o pluralismo político, a separação dos Poderes (Legislativo, Executivo e Judiciário) e os direitos fundamentais. Essas três esferas têm a obrigação de resguardar o primeiro princípio da República (Artigo 1º, inciso I da Constituição), que é a soberania. Ela significa a independência do Estado perante outras nações e o poder supremo interno sobre seu território. Por isso, é crucial resguardarmos a soberania, o que implica também proteger nossas fronteiras, recursos naturais e independência financeira. Todavia, políticos e eleitores que se dizem patriotas caminham justamente na contramão, divergindo do ideal soberano e entregando-se ao vassalismo mediante o parasitismo narrativo.

Segundo Gentilalan[1], o parasitismo narrativo, em seu viés político, fundamenta-se no medo e aproveita-se de um caos inventado por ele próprio, já que lucra com tal situação. Isso ocorre porque quem tem medo obedece, necessitando, portanto, de um inimigo para sobreviver.

Peguemos como exemplo um parlamentar de Minas Gerais que cria o medo do comunismo e levanta a bandeira contra a corrupção, mas que se mostra a imagem e semelhança daquilo que combate. Isso porque ele vive de mentiras, e a mentira é uma corrupção moral e filosófica. Sob o ponto de vista ético, o ato de mentir corrompe a integridade do indivíduo que a profere e, em concomitância, deteriora sua retidão moral, corrompendo o tecido social e as relações humanas. Na seara filosófica trilhada por Immanuel Kant, a mentira é a violação do dever absoluto com a verdade.

Observe: esse parlamentar exala mau-caratismo, tanto que, em quatro anos de mandato, fez o seu patrimônio ter um aumento de 10.487,75%, para ser mais exato. Isso não seria uma prova irrefutável de corrupção, sabendo que um parlamentar ganha um salário bruto de R$ 46.366,19, mais auxílio-moradia de R$ 4.253,00 (caso não ocupe apartamento funcional), totalizando até R$ 50.619,19 mensais?

Assim vivem os políticos que usam o parasitismo narrativo: eles precisam do medo, que é nutrido pela falta de conhecimento e de discernimento. Cabe às instituições educacionais combaterem esse fenômeno por meio de uma educação de qualidade, que faça imperar o conhecimento, o discernimento e, principalmente, o protagonismo cognitivo.

 

[1] Gentilalan – Mestre em Teologia e Doutorando em Teologias Contextuais

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