25/02/2026

O Triunfo da Servidão: Uma Crítica à Educação Sucateada sob a Ótica da Obediência de Milgram

Por Wolmer Ricardo Tavares – Mestre em Educação e Sociedade, Escritor, Palestrante e Docente – www.wolmer.pro.br

Currículo Lattes http://lattes.cnpq.br/9745921265767806

 

A educação é a mola propulsora tanto para a transformação quanto para a evolução da sociedade. Todavia, para que isso se concretize, a ação educativa intencional deve fomentar no indivíduo o discernimento e a autonomia. Em contrapartida, observa-se que certas elites não têm medido esforços para sucatear a escola pública e desvalorizar seus profissionais, com o intuito de enfraquecer o ensino e expandir a "massa de manobra". O objetivo é a criação de gerações de indivíduos docilizados e servis, perpetuando uma estrutura social que, de forma parasitária, extrai a dignidade do povo e, por meio da alienação, alça políticos vis ao poder.

É interessante pontuar que este projeto de fragilização da educação pública — definido por Darcy Ribeiro, anos atrás, como uma escolha política deliberada — visa à efetivação de um cenário condizente com o Experimento de Milgram, que trata da obediência servil. No período pós-Segunda Guerra Mundial, Stanley Milgram buscou entender como pessoas comuns permitiram-se guiar pela liderança de um genocida, tornando-se cúmplices de um sistema que dizimou milhões de pessoas.

O experimento consistia na aplicação de choques elétricos por "professores" (voluntários) em "alunos" (atores) que erravam perguntas. Os dados revelaram que 65% dos participantes atingiram o nível máximo de 450 volts, simplesmente por acreditarem que estavam apenas seguindo ordens. Sem o filtro da consciência, esses indivíduos não demonstraram discernimento; executavam a tarefa sem juízo moral ou conexão social, ilustrando o comportamento de manada, no qual se age sem refletir sobre o dano causado ao próximo.

Com base nessa premissa, Dahia (2015) [1]  questiona como é possível "trair facilmente o senso moral, os caros valores humanitários, em favor de uma submissão cega". Este fenômeno reflete-se na atualidade em indivíduos que, amparados pela desinformação e por manipulações oportunistas, submetem-se acriticamente a autoridades políticas ou religiosas. Lévy (2014) [2]  acrescenta que, em tais situações, o sujeito nega sua responsabilidade para atenuar a tensão psicológica, utilizando essa projeção para terceirizar a culpa de seus atos. Assim, observa-se uma sociedade onde extremistas, cegos pela própria ignorância, defendem pautas contrárias aos seus próprios interesses, explicitando a falta de sinapses cognitivas críticas e de responsabilidade moral.

 

[1] DAHIA, S. L. DE M.. Da obediência ao consentimento: reflexões sobre o experimento de Milgram à luz das instituições modernas. Sociedade e Estado, v. 30, n. 1, p. 225–241, jan. 2015.

[2] LÉVY, A.. Práticas sociais das perversões: modernidade do laço, organização social e dilemas morais. Revista Latinoamericana de Psicopatologia Fundamental, v. 17, n. 3, p. 673–685, set. 2014.

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