Pais e professores ignoram sintomas da depressão infantil, revela estudo
Sinais de tristeza, sonolência, sentimento de culpa e de rejeição, indisposição para atividades físicas, cansaço e irritabilidade são alguns indicadores de que um indivíduo pode estar sofrendo de uma doença que afeta 3,5% das crianças em idade escolar de Campinas: a depressão infantil. E na maioria das vezes esses fatos passam despercebidos tanto pelos pais dessas crianças quanto pelos professores, como conclui a psicóloga Miriam Cruvinel, em sua dissertação de mestrado na Unicamp.
Ela diz que um dos fatores mais críticos, indicando que a criança começa a manifestar sinais de depressão, é quando seu rendimento escolar cai e passa a não apresentar resultados satisfatórios dentro da sala de aula. A avaliação de Miriam refere-se principalmente à disciplina de matemática, matéria que, segundo ela, exige do aluno mais atenção, concentração e memorização. “E são essas habilidades as mais prejudicadas na criança, quando inicia um quadro crítico de depressão”, diz.
Para elaborar a sua pesquisa – que teve apoio financeiro da Capes –, a psicóloga trabalhou com 169 crianças de ambos os sexos, de baixa renda, de uma escola de Ensino Fundamental da região sul de Campinas, sendo 69 alunos da 3ª, 69, da 4ª e 31 da 5ª série. A pesquisa revelou que desse contingente de alunos, 3,5% deles (seis estudantes) apresentavam a doença. Trata-se, como ela explica, de um número baixo, “mas significativo, por revelar um mal em franca expansão, que precisa de atenção de órgãos governamentais para impedir que o problema provoque estragos ainda maiores”. Trata-se de um índice – com pequenas alterações –que pode representar o perfil da situação nacional.
Inúmeros são os fatores que contribuem para que a depressão se instale na criança. Um deles é de causa biológica, “quando a criança tem maiores possibilidades de vir a desenvolver um quadro depressivo, cujos pais têm ou tiveram períodos de depressão. Entre os “agentes externos”, como denomina a pesquisadora, o mais importante deles todos talvez seja a separação dos pais. “É quando a criança passa a ter a sensação de abandono, de estar só e de traição”, conta Miriam.
A pesquisadora explica ainda que a depressão infantil, embora passe por um processo de expansão, já dispõe de tratamentos eficazes. “Esse tratamento, com psicoterapia, é feito por um profissional da área, no caso um psicólogo. A uma criança, dificilmente lhe é indicada uma medicação, a não ser que seja uma depressão muito severa, que chega a atrapalhar todo o andamento da vida dela. Geralmente é uma psicoterapia, por meio da qual o foco de tratamento não seria apenas a criança, mas também a família toda.