Parceria MEC e Sesi leva 100 mil adultos à escola
Parceiro do Programa Brasil Alfabetizado desde julho deste ano, o Serviço Social da Indústria (Sesi) informou nesta quinta-feira aos participantes do Seminário Internacional de Alfabetização de Jovens e Adultos: experiências ibero-americanas que já montou 4.585 turmas de alfabetização, que somam 100 mil alunos jovens e adultos, a maioria na faixa etária de 45 a 60 anos.
De acordo com Eliane de Pinho Martins, coordenadora de alfabetização do Sesi, dos 100 mil estudantes em processo de alfabetização, 60% estão na região Nordeste. Só no Ceará, as salas de aula reúnem 32 mil alunos. Eliane explicou que o Sesi firmou uma série de parcerias com empresas em todos os estados para dividir as tarefas da alfabetização. O MEC, que é o indutor do processo, custeia a formação dos alfabetizadores e paga ao professor R$ 15,00 por aluno/mês. Já o Sesi faz a mobilização para o cadastro dos alunos, oferece sua infra-estrutura física e materiais didáticos. A empresa parceira custeia o transporte, o lanche e oferece salas de aula.
A diretora do Programa Ação Educativa, organização não-governamental que atua em São Paulo, Vera Masagão, disse que o principal desafio do Ministério da Educação é avaliar o aprendizado dos jovens e adultos. Para ela, os critérios devem ser abrangentes e capazes de contemplar não só os domínios da leitura e da escrita, mas também aferir as mudanças de atitude dos educandos, sua inserção social e no mercado de trabalho e medir seu ingresso no ensino fundamental.
Nubia Rivas, do Programa de Alfabetização e Educação Básica de Adultos da Nicarágua, afirmou que seu país desenvolve, desde 1996, um programa de alfabetização em 150 municípios, com a ajuda financeira da Espanha. Os adultos são alfabetizados em oito meses, com três horas de aula por dia, nos cinco dias da semana, e em locais fora da escola. Além da leitura e da escrita, são oferecidos cursos de capacitação de 100 a 150 horas, aos sábados ou aos domingos. Têm prioridade no programa de alfabetização as mulheres e os chefes de família.
A Nicarágua tem cinco milhões de habitantes, sendo 65% de menores de 25 anos. A média de educação na área urbana chega a 3,6 anos e no campo, 2,2 anos. A meta do governo até 2015 é dar educação primária a 90% da população, reduzir a taxa de analfabetismo entre os jovens de 15 a 24 anos de 19% para 10% e rever o processo de formação dos professores. (MEC).