06/10/2004

Professor dá dicas aos pré-vestibulandos


Daqui a cerca de dois meses, milhares de estudantes irão enfrentar os vestibulares para 2005. Quem passou o ano se preparando para os exames mais concorridos deve agora valorizar o que já sabe, ao invés de tentar compreender assuntos que não foram bem assimilados. A orientação é do prof. Ernesto Birner, coordenador do Anglo Vestibulares e orientador de pré-vestibulandos há mais de vinte anos.

Ele explica que é um erro o aluno achar que precisa dominar todos os assunto para ingressar em uma boa universidade. "É impossível saber tudo e, aliás, nem é necessário", diz. De acordo com o coordenador, o estudante precisa conhecer a maior parte dos conteúdos exigidos nos exames, mas nenhuma prova exige 100% de acerto. "É natural que o vestibulando não consiga aprender determinados tópicos. O que ele deve fazer agora é se empenhar em aprimorar os conhecimentos já adquiridos".

Um exemplo é o candidato que vai prestar medicina na Fuvest, um dos cursos mais concorridos do país: caso ele não tenha compreendido durante o ano o tópico referente à Embriologia - normalmente cobrado em um teste da prova, ele não deve "perder tempo" tentando entender a matéria. Birner explica que, para conseguir um bom resultado, o estudante deve acertar cerca de 80 questões, já que a nota de corte gira em torno de 70. "Por isso, não vale a pena ele investir em Embriologia, e sim aproveitar o tempo para garantir as matérias já assimiladas e que podem lhe render o acerto dos 80 testes", garante.

Com a aproximação das provas, o coordenador aconselha dar início à revisão, que, segundo ele, possui duas vantagens: "revendo o que ele imaginava já ter esquecido, o aluno fica mais confiante; além disso, existem pontos ainda não sedimentados das matérias que podem ser melhorados com a revisão", afirma.

Outro aspecto importante é não alterar a rotina de estudos, respeitando seus próprios limites. "Aumentar as horas de estudo nessa fase pode comprometer o desempenho do candidato, que naturalmente não apresenta o mesmo "gás" do início do ano".

Algumas "paradas" entre os estudos também podem contribuir, assim como espaços para atividades que proporcionem bem-estar. "Assistir a um filme, conversar com os amigos e descansar nos finais de semana ajudam o vestibulando a relaxar", lembra Birner. Não cometer excessos com a alimentação e equilibrar as horas de sono também é essencial. "O bom senso é a melhor forma de dosar o ritmo de cada um", conclui.

Acostumado a lidar também com pais de alunos, o coordenador do Anglo faz um alerta: assim como os vestibulandos, os pais devem encontrar um equilíbrio, evitando serem omissos ou exigentes demais, já que ambos os casos podem prejudicar o desempenho do aluno. "O pai desinteressado faz o aluno se sentir "órfão" e o exigente exerce muita pressão, fator extremamente prejudicial nesse momento", esclarece.

A sugestão é que as famílias atuem como "parceiras" do aluno, acompanhando o que está acontecendo, sem cobranças. "É importante lembrar que o vestibular é uma fase difícil, de grande competitividade. A possibilidade do aluno não passar existe e deve ser encarada com naturalidade", conclui.

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