Professores defendem maior avanço nas áreas de ciência e tecnologia
O Brasil dispõe de boa infra-estrutura científica e de pessoal altamente qualificado em nanociência e nanotecnologia, mas ainda precisa superar importantes desafios para vir a se tornar competitivo nessas áreas. Além de equacionar o histórico problema da carência de recursos, é indispensável promover a união de competências e a identificação de oportunidades.
A avaliação, uma síntese do pensamento de três destacados pesquisadores brasileiros, José Antônio Brum, Marcelo Knobel e Vitor Baranauskas, todos professores da Unicamp, não deixa dúvidas sobre o estágio da nanociência e da nanotecnologia em terras tupiniquins.
Embora com visões próprias acerca das discussões envolvendo a comunidade científica e das políticas públicas adotadas até aqui, os cientistas têm posições convergentes quanto ao tema. E estão convencidos: se quiser ser um dos protagonistas dessa anunciada revolução tecnológica, o Brasil não poderá perder mais tempo.
Mesmo os cientistas mais conservadores projetam um futuro inovador a partir da nanociência e da nanotecnologia. São áreas consideradas emergentes e, também por isso, estratégicas e extremamente promissoras, com possibilidade de alcançar praticamente todos os campos do conhecimento e movimentar quantias astronômicas de dinheiro.
Imagina-se que, brevemente, a capacidade de manipular, fabricar e funcionalizar objetos com medida equivalente ao milionésimo do milímetro gerará sistemas capazes de transportar, através de organismo humano, drogas que atingirão o ponto exato de um tumor. Num exercício de ficção científica, há até mesmo os que antevêem o desenvolvimento de nanorrobôs, com variadas funções. Tal previsão, porém, não é levada a sério pela maioria dos pesquisadores.
Marcelo Knobel, que tem se dedicado às investigações envolvendo nanomagnetos, materiais que interessam a uma indústria que movimenta bilhões de dólares ao ano no mundo, concorda que o momento é de definições. De acordo com ele, o Brasil precisa de um programa claro e contínuo em nanociência e nanotecnologia, caso contrário ficará eternamente dependente nessas áreas.