18/08/2005

Professores motivam estudantes com teatro, música, poesia e democracia

Educadores preocupados em criar aulas diferenciadas, capazes de motivar os alunos e fazer com que eles sejam protagonistas na escola. Assim trabalha a equipe de professores da Escola Estadual Martins Pena, em Americanópolis, na zona sul de São Paulo. Para isso, conta com o respaldo da diretora Regina Burkhardt. “Quando assumi a direção, há um ano e meio, percebi que os professores tinham muitas idéias, mas ficavam tímidos na hora de executar”, diz Regina. “Passei a incentivar a criatividade, dando mais autonomia para os professores inovarem”.

Dramatizações, julgamentos simulados, construção de maquetes e criação de roteiros são alguns dos recursos utilizados pelos professores para melhorar o rendimento dos alunos e fazer com estudar seja visto como algo prazeroso. Um dos projetos, o julgamento de Capitu, personagem do livro Dom Casmurro, de Machado de Assis, rendeu à escola um prêmio da série Educação Criativa, que classificou o projeto da escola Martins Pena como um dos dez melhores do ensino médio em toda a rede estadual de ensino. Um vídeo produzido com os dez melhores projetos foi distribuído às 89 diretorias de ensino da rede para que as experiências bem-sucedidas possam ser aproveitadas em outras escolas.

Agora, os alunos do ensino médio vão simular o julgamento do presidente Getulio Vargas. Divididos em promotoria e defesa, leram uma apostila preparada pela professora e produziram um dossiê com informações sobre Getulio e o Brasil da época. O julgamento será realizado no segundo semestre, com promotoria e defesa apresentando seus argumentos. “É uma forma de motivar os alunos, fazer com que se envolvam mais com o trabalho”, diz a professora de história e idealizadora do projeto, Silvia Rita Giovani.

Os alunos da 5ª série estão desenvolvendo um projeto multidisciplinar, envolvendo Língua Portuguesa, Matemática e Geografia. Primeiro, na aula de português, os alunos leram o livro O Cão dos Baskerville, de Arthur Conan Doyle, uma das mais famosas histórias do detetive Sherlock Homes. Depois da leitura, os alunos criaram um texto baseado na história de mistério e suspense. O texto, com suspeitos, testemunhas e pistas, foi então apresentado em forma de peça teatral para os colegas. Nas aulas de geografia, os alunos produzem mapas do local do crime descrito no livro. Desta forma, aprendem a fazer e a interpretar mapas. Nas aulas de matemática, os estudantes aprendem conceitos de geometria construindo maquetes dos cenários da história, como o castelo dos Baskerville. “Com a maquete, eles conseguem visualizar mais facilmente as formas geométricas”, diz a professora de matemática Janaína Martins Lopes, que vê uma melhora acentuada no aproveitamento da turma. “Depois do projeto, a disciplina e a participação em sala melhoraram bastante”.

Outro projeto bem-sucedido é o grupo de teatro, conduzido pelo professor de Literatura Júlio Cesar Pereira de Freitas e pela professora de Artes Eliane Tavares. Cerca de 40 alunos participam dos ensaios que acontecem três vezes por semana. O grupo trabalha com a obra do patrono da escola, o teatrólogo Martins Pena, considerado o criador da comédia de costumes no Brasil, mas procura inserir nas peças textos de autores contemporâneos. Para as apresentações, os alunos transformaram uma sala de aula desativada em auditório. “No teatro, os alunos superam deficiências de articulação”, diz o professor Júlio César, que em suas aulas de literatura utiliza música, poesia e publicidade para despertar o interesse dos alunos pela disciplina. Música e poesia são justamente os temas de um festival que será realizado em novembro e vai envolver toda a escola.

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