10/06/2004

Psicóloga revela que pais e professores ignoram sinais da depressão infantil


A psicóloga, Mirian Cruvinel, defende em sua dissertação de mestrado Depressão infantil, rendimento escolar e estratégias de aprendizagem em alunos do Ensino Fundamental, apresentada semana passada na Faculdade de Educação (FE) da Universidade de Campinas (Unicamp), que sinais de tristeza, sonolência, sentimento de culpa e de rejeição, indisposição para atividades físicas, cansaço e irritabilidade são alguns indicadores de que um indivíduo pode estar sofrendo de uma doença que afeta 3,5% das crianças em idade escolar de Campinas: a depressão infantil.

Para Mirian, o que é ainda pior, é notar que muitas vezes esses sintomas passam despercebidos pelos pais e professores. Ela diz que um dos fatores mais críticos, indicando que a criança começa a manifestar sinais de depressão, é quando seu rendimento escolar cai e passa a não apresentar resultados satisfatórios dentro da sala de aula.

Para elaborar a sua pesquisa, a psicóloga trabalhou com 169 crianças de ambos os sexos, de baixa renda, de uma escola de Ensino Fundamental da região sul de Campinas, sendo 69 alunos da 3ª, 69, da 4ª e 31 da 5ª série. A pesquisa revelou que desse contingente de alunos, 3,5% deles (seis estudantes) apresentavam a doença. Trata-se, como ela explica, de um número baixo, “mas significativo, por revelar um mal em franca expansão, que precisa de atenção de órgãos governamentais para impedir que o problema provoque estragos ainda maiores”, explica.

O que o estudo de Miriam tem mostrado é que tanto professores quanto os pais de alunos revelam dificuldades (ou desconhecem a questão por completo) para identificar, de maneira precoce, quando uma criança apresenta problemas que possam se caracterizar um processo de depressão infantil, em casa ou na escola onde estuda.

Segundo a pesquisadora, a depressão infantil pode provocar na criança, ou no adolescente, pensamentos ou tentativas de suicídio, quando o seu quadro clínico não for detectado com precisão por um especialista da área. Os fatores que contribuem para que a depressão se instale em crianças são diversos, alguns são de causas biológicas, atritos familiares, isolamento social, cobrança do rendimento escolar, entre outros.

A pesquisadora explica ainda que a depressão infantil, embora passe por um processo de expansão, já dispõe de tratamentos eficazes. “Esse tratamento, com psicoterapia, é feito por um profissional da área, no caso um psicólogo. A uma criança, dificilmente lhe é indicada uma medicação, a não ser que seja uma depressão muito severa, que chega a atrapalhar todo o andamento da vida dela.

Geralmente é uma psicoterapia, por meio da qual o foco de tratamento não seria apenas a criança, mas também a família toda. “Mesmo porque acreditamos que parte dessa depressão ocorre em função de fatores ambientais, onde a família está inserida”, diz Miriam.(Unicamp)

Assine

Assine gratuitamente nossa revista e receba por email as novidades semanais.

×
Assine

Está com alguma dúvida? Quer fazer alguma sugestão para nós? Então, fale conosco pelo formulário abaixo.

×