Quilombos foram mestiços desde a formação
Os quilombos, esconderijos de escravos fugidos ou libertos até o século XIX, não foram comunidades exclusivamente de negros. Eram, na verdade, grandes redutos de indivíduos excluídos da sociedade da época, fossem negros, brancos ou índios. A constatação é de pesquisa realizada pelo Departamento de Genética e Morfologia da Universidade de Brasília (UnB), que estuda comunidades remanescentes de quilombos.
Mas o que a genética tem a ver com a história dos quilombos? Tudo. Por meio da identificação de alelos (trechos de cromossomos), mais ou menos comuns nas diferentes etnias, é possível saber como cada uma delas contribuiu para a formação de uma população. O trabalho, coordenado pela professora Silviene de Oliveira, analisou recentemente as composições gênicas de quatro comunidades e definiu a caracterização genética e demográfica dos núcleos Rio das Rãs e Riacho do Sacutiaba (BA), Mocambo (SE), e Kalunga (GO).
A principal conclusão é que todos eles apresentam forte miscigenação.