Reforço para pesquisa ambiental
Por André Augusto Castro
UnB se une a instituições brasileira e francesa para criar unidade que reforçará estudos e qualificação de pessoal
As cooperações científicas entre o Brasil e a França vêm sendo desenvolvidas há muitos anos nos dois países. Essa iniciativa resultou em uma série de estudos, na qualificação de professores e pesquisadores das duas nacionalidades. O novo passo para consolidar e fortalecer ainda mais esses laços é a constituição do Laboratório Misto Franco-brasileiro de Pesquisas Ambientais (Lamire – sigla em francês). Ele não terá uma sede física e atuará na união dos estudos realizados por unidades da Universidade de Brasília (UnB), Universidade Federal Fluminense (UFF) e o Instituto de Pesquisa para o Desenvolvimento (IRD-França), principalmente nas áreas de estudos climáticos, ambientais e geoquímicos.
O acordo que institui o Lamire foi assinado na manhã de terça-feira, 31 de maio, no Salão de Atos da Reitoria da UnB, pelos representantes das três instituições. Em princípio, o acordo deverá vigorar por quatro anos e permitirá desenvolver linhas de pesquisa permanentes de interesse comum (veja ao lado). Para o representante do IRD no Brasil, Pierre Sabaté, a união favorecerá a busca por linhas de financiamento nacionais e internacionais. “Juntos temos mais força para pleitear recursos. Serão três estruturas físicas que já existem (Niterói, Brasília e Toulouse) com pessoal e equipamentos. Vamos estabelecer intercâmbio de pesquisa, troca de conhecimentos que permitam variar estudos e abordagens. Sobretudo, desenvolver programas para criar novas ferramentas e métodos analíticos”, ressalta.
OTIMIZAÇÃO – Sabaté destaca que a grande novidade do convênio é permitir investimentos conjuntos. Assim, ao invés de comprar três equipamentos para cada uma das instituições, apenas um pode ser comprado e usado por todas. Conforme o contrato, se não houver renovação, os aparelhos adquiridos ficarão no Brasil. “Os laboratórios de Geoquímica da UFF e da UnB têm capacidade instrumental muito grande. O de Geoquímica Isotópica da UnB é um dos principais da América Latina. No futuro, precisaremos de equipamentos mais especializados que permitam fazer um salto de qualidade e aumentar a potencialidade analítica”, aposta Sabaté.
O reitor da UnB, Lauro Morhy, explica que o documento assinado é, na verdade, um convênio guarda-chuva, que abre a possibilidade para novas parcerias e programas específicos. “Temos parcerias com a França há muito tempo e, desde sua fundação, a UnB tem atuado com laços estreitos com a França. O convênio vem consolidar e ampliar o que já existe, numa linha interessante porque envolve atividade conjunta entre três laboratórios. Isso envolve até otimização de recursos”, elogia Morhy.
ADMINISTRAÇÃO - Já o reitor da UFF, Cícero Mauro Fialho, aponta que o convênio é fundamentado por mais de duas décadas de trabalhos conjuntos entre pesquisadores brasileiros e franceses. Para ele, a vantagem do acordo é a produção conjunta de conhecimento e a importância desses estudos para as duas sociedades e para o mundo. “Não se pode mais pensar em conhecimento unilateral e fechado. Isso precisa ser revertido em benefício social e os temas que serão estudados têm uma faceta de suma importância. O meio ambiente nos cobrará preço muito alto pelo que estamos fazendo. E todos pagarão de forma indistinta. Por isso é importante que estudemos isso”, ressalta.
O Lamire ficará sob a responsabilidade de um comitê de acompanhamento composto por seis pessoas: três franceses e três brasileiros, com mandato de quatro anos. Os resultados das pesquisas desenvolvidas são de co-propriedade e o comitê terá a responsabilidade de definir sua exploração, considerando a contribuição efetiva de cada parte envolvida. Se os resultados forem passíveis de pedidos de patente, as modalidades de submissão dessas solicitações também serão estabelecidas pelo comitê.