15/07/2005

Reforma universitária deverá incluir regras para aproximar estudantes do SUS

Por Michèlle Canes

Brasília - Cerca de 80% da população brasileira tem acesso à saúde por meio do Sistema Único de Saúde, o SUS. Por esse motivo, segundo a assessora do Ministério da Educação (MEC) Ana Estela Haddad, os currículos dos cursos voltados para a área de saúde devem estar articulados com o sistema, formando assim profissionais afinados com um trabalho que atenda à maioria da população. Uma das medidas propostas envolve a ampliação do atendimento pelo SUS em hospitais-escola.

Para que essa ligação entre a formação acadêmica e o SUS aconteça e seja permanente, o MEC e o Ministério da Saúde querem colocar a proposta no anteprojeto de lei da Reforma Universitária, que deve ser finalizado até o fim deste mês. "Quando você propõe uma ação estruturante, uma mudança na legislação, você garante que essa política se institucionalize e se torne uma política de estado, ela realmente marque para alem de um ou dois governos. Isso dá uma continuidade" conta Ana Haddad.

A assessora do MEC diz que os ministérios vão certificar juntos os hospitais-escola que deverão ter um predomínio do atendimento baseado no SUS. "Nós estamos fazendo uma ação conjunta em várias frentes, estruturando de todas as maneiras a formação do profissional na área da saúde, para garantir uma formação que ao mesmo tempo responda ao avanço tecnológico, à ciência, de pesquisa, sem deixar de ter um enfoque com atendimento social voltado para o SUS", afirma.

Outras mudanças nas diretrizes curriculares estão agora previstas em lei. Uma delas é a chamada residência multiprofissional. Ana Estela conta que a residência tem o objetivo de trazer para o período de especialização dos profissionais de saúde um conceito de integração. "Essa residência é integrada, não é para o médico especificamente. Mas ela é para as outras áreas de saúde também, buscando o principio da integralidade do atendimento, que prega o SUS, para que o doente seja cuidado de uma forma integrada, não de uma forma fragmentada". Ela explica que o projeto foi criado para garantir uma continuidade na formação do profissional.

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