15/09/2010

Relatório analisa cobertura da educação feita por 22 periódicos argentinos

Pelo sexto ano consecutivo, a cobertura da educação pelos periódicos argentinos foi analisada e as conclusões sistematizadas em um relatório. Temas como direito à educação de qualidade, formação para docentes, políticas públicas para educação, acesso e reinserção tem sido pouco abordados pela grande mídia. Será que as atuais notícias sobre educação despertam o interesse de pais, alunos e professores?
Partindo de questões como estas, o Capítulo Infância da Associação Jornalismo Social elaborou o relatório "Infância e adolescência na imprensa argentina 2009" com o objetivo de refletir sobre como melhorar as coberturas jornalísticas com a utilização da opinião de especialistas, de novas fontes informativas e o uso de novos enfoques, que permitam acompanhar a dinâmica do mundo escolar.

Foram analisadas 4.100 notícias publicadas em 2009 e retiradas de 22 periódicos argentinos. A partir desta análise, viu-se a necessidade de incluir na mídia impressa, por exemplo, temas relacionados aos direitos de crianças e adolescentes no que diz respeito à educação. O relatório revela que ‘qualidade da educação’ e ‘formação docentes’ foram os enfoques menos encontrados nos periódicos.

A verdade é que, no ano passado, cerca de 70% das matérias publicadas sobre educação abordaram apenas questões como greves e reivindicações docentes, orçamentos e infraestrutura. Apenas 19% das matérias falaram sobre a qualidade da educação que vem sendo recebida pelas crianças e adolescentes argentinos.

Os conflitos docentes foram tema de 34% das notícias sobre educação. De acordo com o relatório, isto se deu porque de 2004 até 2009 o ano letivo não foi cumprido rigorosamente no país, o que quer dizer que os estudantes não tiveram os 180 dias de aulas que determina a lei. Em 2009, alunos de algumas localidades argentinas perderam até 25% das aulas.

Outra problemática detectada no relatório e que necessita de correção urgente é a ausência da participação e opinião de alunos e professores nas notícias educativas. A voz destes, que deveriam ser os protagonistas, geralmente não é escutada. Os professores/as só foram consultados como fontes em 11,7% das notícias e os alunos/as estão em maior desvantagem, pois só foram escutados em 4,4% das matérias que abordaram temas como infância e adolescência.

Já a violência foi exaustivamente noticiada nos periódicos, a prova é que o tema foi o mais tratado no ranking de notícias da mídia impressa argentina. De acordo com o relatório, 28,6% das matérias sobre crianças e adolescentes se referiram à violência. Além disso, três de cada dez matérias sobre violência citam situações ocorridas em escolas. Em oposição a este tipo de cobertura, o relatório lança como proposta que sejam noticiadas experiências de escolas que conseguiram resolver com êxito situações de violência e como foi a participação dos estudantes.

As dificuldades enfrentadas por cerca de 350 mil alunos com deficiência para ter direito à educação é um assunto praticamente invisível. Apenas 0,7% foi espaço cedido para o tema. Com relação a isto, o relatório "Infância e adolescência na imprensa argentina 2009" acredita que a mídia impressa perde uma grande oportunidade de contribuir com ideias e experiências que favoreçam o acesso.

Vários outros temas de relevância são analisados pelo relatório, que também faz sugestões e lança propostas para guiar o trabalho dos jornalistas interessados em fazer uma cobertura melhor e mais responsável acerca da educação argentina e de demais temas que envolvem crianças e adolescentes.

O relatório "Infância e adolescência na imprensa argentina 2009" pode ser acessado no link: http://www.periodismosocial.org.ar/notacompleta.cfm?id=4151">http://www.periodismosocial.org.ar/notacompleta.cfm?id=4151.

(Envolverde/Adital)

 
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