21/05/2005

Resultado do Enade distorce avaliação do ensino superior

Liderança do setor afirma que a divulgação parcial dos resultados do primeiro Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade) pelo MEC provocou análises, interpretações e conclusões reducionistas
Os números que o MEC apresentou como resultado do primeiro ENADE (Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes) não refletem fielmente a realidade do sistema de ensino superior, afirma o presidente do Sindicato das Entidades Mantenedoras de Estabelecimentos de Ensino Superior de São Paulo (SEMESP), Hermes Ferreira Figueiredo.

Para o educador, a avaliação deve levar em consideração a estrutura física, o corpo docente, o projeto pedagógico, o comprometimento social, a auto-avaliação e a missão institucional, não somente o desempenho dos estudantes em uma única prova. Mas mesmo assim, ocorreram distorções nos cálculos da avaliação, explica Figueiredo. "Deveria ser calculada a variação percentual do aluno veterano em relação ao ingressante, e não a soma, como foi adotado".

Os resultados do ENADE também não conseguem refletir a qualidade real dos cursos, porque não consideraram o avanço proporcionado pelo processo de aprendizagem. Ao propor que ingressantes também fizessem uma prova, pressupunha-se que este avanço seria medido, uma vez que as notas dos ingressantes seriam contrapostas às notas dos concluintes e, desta forma, se chegaria a um indicador de qualidade do curso. "Não só o conceito dos cursos no ENADE não reflete este avanço, como faz justamente o oposto, já que o desempenho do ingressante tem valor diretamente proporcional à chamada Média Final, ou seja, quanto melhor o desempenho do ingressante, melhor o conceito do curso", esclarece Figueiredo.

Este critério, segundo ele, além de ser ilógico, é a antítese do que pregava a proposta inicial do ENADE, só contribui para distorcer ainda mais a avaliação, na medida em que beneficia as instituições que são "premiadas" com estudantes mais bem preparados pelo Ensino Médio. "Como se estas instituições, por isto, oferecessem um curso melhor".

Segundo o professor, o desvio de rota do ENADE ao menos possibilita a discussão sobre a baixa qualidade do ensino básico. Alunos concluintes do ensino médio chegam à graduação com deficiências básicas em conhecimentos gerais. O índice dos ingressantes com dificuldades para acompanhar o curso superior oscila entre 10 a 30%".

Essa deficiência herdada do ensino básico reflete pontualmente no desempenho dos alunos de graduação, seja ingressantes ou concluintes, e precisam ser solucionadas, avisa Figueiredo. "É preciso que ações planejadas no ensino básico sejam colocas em prática para atingirmos qualquer melhoria de qualidade na graduação, aliás esse é um tema que o MEC deixou de contemplar na sua proposta de Reforma Universitária".

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