22/11/2003

Secretário diz que desafio do governo é fortalecer a universidade pública

"A privatização das universidades públicas está totalmente descartada para o presidente Lula, para o ministro da Educação e para mim", garantiu o secretário de Educação Superior (Sesu), Carlos Alberto Santos. Além de o ensino superior gratuito ser programa de Governo, o secretário lembra que a educação "por princípio, é dever do Estado".

Apesar do sucateamento de recursos físicos e humanos nas universidades públicas, Carlos Alberto acredita que é possível reverter o processo. "Ou enfrentamos esse imenso desafio e avançamos, ou ficamos parados, retrocedendo", disse. A crise do ensino superior brasileiro tem suas particularidades, mas há uma estagnação global no setor. Para repensar a universidade, o Ministério da Educação organizou o Seminário Internacional Universidade XXI.

A presença de especialistas e ministros da Educação dos EUA, Europa, Ásia e América do Sul, entre 25 e 27 de novembro, em Brasília, vai estabelecer novos parâmetros para a universidade do futuro. "A universidade é patrimônio no mundo todo, como produtora e difusora de conhecimento. Mas, hoje, perdeu o monopólio da produção do saber, e suas funções não são mais, exclusivamente, ensino, pesquisa e extensão. A universidade, hoje, tem que ter compromisso social e trabalhar a cultura" garante o secretário.
Apesar da falta de recursos, as universidades públicas concentram a produção de 90% da pesquisa brasileira, em áreas de ponta, como a dos transgênicos, de transplantes ou prospecção em águas profundas.

O secretário da Sesu defende, ainda, novos conceitos no ingresso e na permanência do estudante na universidade. Para Carlos Alberto Santos o ideal seria padronizar o que já está acontecendo em algumas instituições, que oferecem o ingresso do aluno por áreas de conhecimento, ao invés de cursos. Passando no vestibular, diz, "o estudante deixaria de ser um estudante da universidade x, para ser um estudante universitário". Ou seja, a aprovação no vestibular seria um passaporte para que o aluno pudesse circular por escolas diferentes. Ele afirma que "a universidade tem que ter caráter cada vez mais universal, para formar o homem universal".



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