14/04/2005

Selo Negro lança "A África na sala de aula”

Com extrema sensibilidade e vasto embasamento teórico, Leila Leite Hernandez, mestre e doutora em sociologia política, revisita temas fundamentais para a compreensão da história contemporânea do continente africano. Nessa "releitura", ela convida o leitor a abandonar pressupostos e estereótipos e mostra uma África que não costuma aparecer nos livros de história.

Quando se fala do continente africano, uma pergunta fundamental precisa ser formulada: existe uma África única, uma identidade comum a todo o continente? Na obra "A África na Sala de Aula - Visita à História Contemporânea", lançada pela Selo Negro Edições, Leila Leite Hernandez, mestre (USP) e doutora (PUC-SP) em sociologia política pela USP, responde a questão e convida o leitor a abandonar antigos pressupostos e estereótipos. Ela propõe um novo tipo de estudo: aprender a enxergar a África como um entrelaçamento de diversas culturas e processos históricos, de identidades complexas e, muitas vezes, contraditórias.

Com densa pesquisa historiográfica, cartográfica e iconográfica, o livro desafia preconceitos e preenche lacunas de conhecimento sobre a história do continente africano. A autora revisita, com extrema sensibilidade, temas fundamentais para a compreensão da história contemporânea desses países, como as violências, a discriminação e as arbitrariedades dos regimes colonialistas das nações européias. Fatos que fortaleceram a têmpera das elites africanas e a indignação dos povos do continente, levando os movimentos de independência a clamar por direito, liberdade e igualdade como sinônimo de imparcialidade e justiça.

A obra contribui de forma significativa para a percepção de que esses temas continuam mal compreendidos pela historiografia e que esta precisa se despir de colorações emocionais e políticas para que seja apresentado de forma correta, principalmente, na sala de aula. "O continente africano é sempre ligado à tradição, como se outros povos, nos outros continentes, não tivessem tradições. Os africanos tornam-se facilmente explicáveis, basta invocar razões antropológicas, éticas ou etnográficas, enquanto os europeus ou americanos são entidades complexas", alerta o escritor moçambicano Mia Couto no prefácio da obra.

Atenta a este universo de equívocos, Leila revela, por exemplo, que a África ao sul do Saara, até hoje conhecida como África negra, é identificada por um conjunto de imagens que resulta em um todo indiferenciado, exótico, primitivo, minado, regido pelo caos e geograficamente impenetrável.

O livro é dividido em quatro grupos de capítulos: os preconceitos e as pré-noções sobre a África; os colonialismos, os mecanismos e instrumentos de dominação dos diferentes sistemas coloniais; o papel das elites culturais diante das questões de política e identidade e o desafio de compreender como elas incorporaram ao ideal de independência os projetos de reformulação institucional e de modernização econômica, social e política, além das diferentes estratégias de luta.

Para a autora, na formação dos Estados-Nações, os países africanos foram em grande parte condicionados por um domínio moral e cultural incapaz de romper a dependência de suas antigas metrópoles. Esse conjunto de elementos configurou uma verdadeira estrutura geradora do subdesenvolvimento manifestado pela fome maciça, êxodos e guerras civis.

Segundo Leila, será preciso que o Estado-Nação promova a paz, transcendendo a multiplicidade histórico-cultural de seus povos: "Esse processo implica na construção real, concreta e sobretudo histórica dos direitos humanos africanos, mas também no exercício de uma soberania externa que limite as intervenções de grandes conglomerados empresariais de países europeus", complementa.

A autora

Leila Leite Hernandez é paulistana, bacharel e licenciada em Ciências Sociais pela PUC/SP, mestre em Ciência Política pela USP e doutora em Ciência Política pela PUC/SP. Em 1997, ofereceu pela primeira vez em São Paulo cursos de História Contemporânea da África no Cogeae e no curso de Relações Internacionais da PUC. Desde 1998 dá aulas na disciplina de História da África para cursos de graduação e pós-graduação em História Social, atribuindo relevância aos dilemas do continente. Foi durante dez anos consultora sênior de projetos desenvolvidos com os governos dos cinco países africanos de língua oficial portuguesa, com módulos no Brasil e na África. Publicou em 2002, também pela Selo Negro Edições, o livro Os Filhos da Terra do Sol - A Formação do Estado-Nação em Cabo Verde.

Livro: A África na Sala de Aula - Visita à História Contemporânea
Autor: Leila Leite Hernandez
Editora: Selo Negro Edições
Preço: R$ 88,80
Páginas: 680 págs.
Atendimento ao Consumidor: 11-3865-9890

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