01/09/2026

Similaridade e Conivência: O Efeito que Omite o Nazismo na Mídia

Por Wolmer Ricardo Tavares – Mestre em Educação e Sociedade, Escritor, Palestrante e Docente – http://www.wolmer.pro.br

Currículo Lattes http://lattes.cnpq.br/9745921265767806

 

Que a mídia exerce um grande poder de manipulação sobre as notícias, pouca gente duvida. Afinal, ela trabalha diretamente com a influência sobre uma massa que, muitas vezes, carece de autonomia intelectual. Dessa forma, as informações podem ser atenuadas ou agravadas dependendo do público que se deseja atingir — público este que geralmente corresponde ao nicho que mantém a mídia financeiramente ativa por meio de patrocínios.

Recentemente, circulou nos grandes veículos a notícia de que um jovem branco havia sido agredido por estudantes de esquerda. O foco da cobertura seguiu à risca o efeito da "atração por similaridade" — conceito da psicologia social que comprova a tendência natural de aproximação entre indivíduos que compartilham das mesmas características, valores, origens e comportamentos. Todavia, ao publicar que o jovem foi agredido apenas por divergência de pensamento, a mídia omitiu o fato que desencadeou o ato em si. Ela se mostrou leviana e permissiva ao esconder que o sujeito entrou na sala de aula vestindo uma camisa nazista e portando um broche com o mesmo teor simbólico.

No livro Educação e a não Neutralidade (publicado pela Ícone em 2024), trabalha-se o Paradoxo da Tolerância de Karl Popper, o qual adverte que a tolerância irrestrita com os intolerantes acaba por extinguir a própria tolerância. Diante de qualquer fomento ao racismo, ao nazismo ou a outras ideologias que subjugam a existência humana, a tolerância deve ser zero. No ordenamento brasileiro, a Lei nº 7.716/1989 define os crimes resultantes de preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional. Em seu artigo 20, a legislação é taxativa ao proibir a fabricação, comercialização, distribuição ou veiculação de símbolos, emblemas e propagandas que utilizem a cruz suástica ou gamada para a divulgação do nazismo.

Esse cenário se conecta diretamente às teses da pesquisadora Cida Bento. Ela define o pacto narcísico da branquitude como um acordo silencioso, implícito e automático entre pessoas brancas para proteger seus privilégios, mantendo o poder e os recursos concentrados em seu próprio grupo. Trata-se de uma prática cultural enraizada que viabiliza e perpetua o racismo estrutural. Para constatar a existência desse pacto, basta observar como indivíduos brancos tendem a escolher, contratar, premiar, valorizar e aplaudir seus semelhantes, mascarando essa preferência sob o falso manto da meritocracia.

A conivência gerada por esse pacto narcísico, somada à negligência da sociedade, abre espaço para que células nazistas cresçam de forma exacerbada. Esse fenômeno foi amplamente demonstrado pelo mapeamento realizado pela antropóloga da Unicamp, Adriana Dias. Seus estudos comprovaram uma alarmante expansão desses grupos no Brasil, registrando mais de mil células em plena atividade, com as maiores concentrações localizadas nos estados de São Paulo, Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul.

Sendo assim, fica evidente que o episódio envolvendo o estudante não se tratou de uma agressão gratuita por parte de "extremistas progressistas", mas sim da aplicação prática da intolerância contra o próprio nazismo. O indivíduo em questão fazia apologia explícita à ideologia extremista e veiculava seus símbolos em ambiente acadêmico — conduta que, conforme a legislação nacional supracitada, constitui crime inafiançável e sujeito à pena de reclusão. Diante disso, cabe à educação continuar desenvolvendo o discernimento em seus alunos, para que aprendam a ser intolerantes à intolerância e a qualquer tipo de preconceito.

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