Sistema de ciclos não é sinônimo de promoção automática, diz professor
Durante os debates no seminário Avaliando o Sistema de Ciclos: novos tempos e espaços da escola, realizado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira(Inep/MEC) na Faculdade de Educação da Universidade de Brasília (UnB), na semana passada, vários especialistas teceram comentários sobre essa forma de organização curricular. Participaram das discussões os educadores Creso Franco, da PUC/RJ, Elba Sá Barreto, da Fundação Carlos Chagas/USP, Luiz Carlos de Freitas, da Unicamp, Sandra Zákia e Vitor Paro, da USP.
Creso Franco defendeu que o sistema de ciclos não é sinônimo de promoção automática, como ficou conhecido em diversas experiências, e que a estabilidade dos professores na escola é importante para o sucesso dessa forma de organização. Para Luiz Carlos Freitas, não é possível avaliar o impacto das ações da mesma forma em todas as redes de ensino pois os conceitos são diferentes.
Sandra Zákia avaliou a experiência produzida entre 1989 e 1992 pela secretaria municipal de Educação de São Paulo. Ela afirmou que o sistema de ciclos foi assentado numa proposta de organização curricular que alterou diversos parâmetros e não apenas o sistema de avaliação. Esse trabalho, explicou, foi interrompido pelas administrações seguintes. Ela disse ainda, que na rede estadual paulista, o sistema de ciclos foi implantado de forma autoritária, sem discussão, sem a formação necessária dos professores e sem o trabalho com os alunos e os pais, indispensável para o sucesso do aprendizado.
Vítor Paro alertou que a educação exige a concordância do educando e que a função pedagógica da escola é levar o aluno a querer aprender. Segundo ele, para construir uma educação de qualidade junto com o professor, o aluno e a família é preciso que o governo tenha políticas orientadoras que indiquem como fazer melhor.