UAB Transformando Vidas
Por Wolmer Ricardo Tavares – Mestre em Educação e Sociedade, Escritor, Palestrante e Docente – http://www.wolmer.pro.br
Currículo Lattes http://lattes.cnpq.br/9745921265767806
Nunca tivemos tanta democratização do ensino superior como temos hoje por meio da Universidade Aberta do Brasil (UAB). Tal realidade é corroborada por Martins (2002), ao afirmar que, no final do século XIX, o Brasil contava com apenas 24 estabelecimentos de ensino superior e cerca de 10 mil estudantes[1]. Vale ressaltar, ainda, a observação de Santos[2] de que os alunos eram "oriundos dos segmentos mais elevados da pirâmide socioeconômica", cujo ingresso ocorria de forma excludente, tendo como perfil discente indivíduos pertencentes aos estratos de maior poder aquisitivo.
É sabido que o ensino superior brasileiro teve uma história conturbada. Segundo Bernardo (2022)[3], em 1968, no auge da ditadura militar, com a decretação do AI-5, alunos e professores foram perseguidos, e as instituições de ensino passaram a ser submetidas à rígida vigilância dos governos militares. Historiadores relatam, inclusive, que agentes das Divisões de Segurança e Informação (DSIs) infiltravam-se entre discentes e docentes para monitorar os conteúdos ministrados e identificar os profissionais responsáveis pelas aulas. Como registra o autor: "As DSIs fizeram parte da estrutura montada pelo Sistema Nacional de Informação (SISNI) e atuaram na vigilância de professores, alunos e demais funcionários em diversas unidades de ensino no período da Ditadura (1964-1985)[4]".
O fato é que a realidade atual é diferente em decorrência da consolidação de políticas públicas voltadas à ampliação do acesso ao ensino superior, pautadas na compreensão de que a educação constitui um investimento estratégico para o desenvolvimento da nação, e não um mero gasto público. Nesse contexto, ao longo de seus 20 anos de existência, a UAB tem transformado vidas, e seus polos têm se tornado protagonistas dessas mudanças. Tais transformações ocorrem, sobretudo, no viés ontológico, ampliando as perspectivas e as possibilidades de futuro de seus egressos.
É importante destacar que a UAB possui um caráter transformador, e seus coordenadores, juntamente com os demais envolvidos, assumem o papel de protagonistas cognoscentes, conferindo representatividade institucional, legitimidade e legalidade às ações desenvolvidas. Dessa forma, oferecem aos discentes e egressos condições para a autotransformação e, concomitantemente, contribuem para o desenvolvimento econômico dos municípios onde os polos estão inseridos.
Vale observar que a educação nunca é passiva, pois atua sobre o discernimento do aluno por meio da construção e da socialização do conhecimento, democratizando o acesso ao ensino superior e potencializando seus efeitos por intermédio do ensino, da pesquisa e da extensão.
A UAB desenvolve suas atividades na modalidade de educação a distância, mas permanece próxima da realidade brasileira, exercendo um papel singular e inovador. Nesse processo, o aluno compreende que a educação jamais poderá ser neutra, pois a neutralidade representa, em última instância, a conivência com a opressão.
[1] MARTINS, A. C. P.. Ensino superior no Brasil: da descoberta aos dias atuais. Acta Cirúrgica Brasileira, v. 17, p. 04–06, 2002.
[2] Santos, Cássio Miranda dos. O Acesso ao Ensino Superior no Brasil: A Questão da Elitização.
Disponível em:<http://educa.fcc.org.br/pdf/ensaio/v06n19/v06n19a05.pdf>
[3] https://iqc.org.br/observatorio/artigos/educacao/a-historia-do-ensino-superior-brasileiro/
[4]https://cnv.memoriasreveladas.gov.br/outros-destaques/436-comissoes-da-verdade-universitarias-apuram-vigilancia-sobre-professores-e-alunos.html