UnB adota cotas para negros
A Universidade de Brasília (UnB) é a mais nova instituição de ensino superior a adotar a política de cotas para negros. Segundo o vice-reitor, Thimoty Lholland, a instituição oferecerá por dez anos, a partir do segundo semestre de 2004, 20% de vagas exclusivamente para negros. Lholland informou, ainda que a UnB estuda uma oferta adicional de vagas para índios, indicados pelas aldeias e pela Fundação Nacional do Índio (Funai), os quais seriam dispensados do vestibular.
Para o professor, contudo, o melhor caminho pode não ser a aprovação de lei que determine cotas fixas. "Talvez, o caminho seja confiar na autonomia das instituições e conceder a elas incentivos, como bolsas de estudo, para que recebam os afrodescendentes e outras populações", afirmou. A ausência de negros é mais facilmente percebida em cursos tradicionalmente considerados de elite, como o de Medicina.
O vice-reitor fez o anúncio durante reunião, no Palácio do Planalto, do grupo de trabalho interministerial criado para formular proposta de acesso e de permanência de populações negras nas instituições de ensino superior públicas e particulares. O grupo trabalha há 60 dias e tem mais 30 para formatar a proposta, a ser analisada pelo ministro da Educação, Cristovam Buarque, e pelo presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva.