22/06/2005

UnB receberá mais recursos para a pesquisa

As atividades de pesquisa da Universidade de Brasília (UnB) ganharão novo gás. O resultado do edital de dezembro de 2004 do Fundo Setorial de Infra-Estrutura, divulgado em maio de 2005, contemplou a instituição com R$ 3 milhões, que serão utilizados na compra de novos equipamentos. A primeira parcela do dinheiro deve sair ainda no começo do próximo semestre. A segunda parte será liberada assim que a universidade prestar contas da primeira. Os recursos serão gerenciados pela Fundação de Empreendimentos Científicos e Tecnológicos (Finatec), fundação de apoio da UnB.

O montante de R$ 110 milhões foi distribuído entre 91 universidades públicas e institutos de pesquisa de todo o país. A UnB foi a quinta colocada em volume de recursos. Dos oito subprojetos da universidade que concorreram ao edital, seis foram contemplados (veja quadro). A Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) é quem mais receberá dinheiro – R$ 5.997.480,00. A Universidade de São Paulo (USP) ficou em 7º lugar, com a alocação de R$ 2.803.234,00. Já a Universidade Regional de Blumenau (FURB) é a instituição que adquiriu menos recursos – R$ 178.940,00.

SUBPROJETOS DA UnB CONTEMPLADOS

- Biotecnologia em Saúde (R$ 600 mil);
- Biodiversidade de Forma e Função (R$ 380 mil);
- Centro de Modelagem Matemática e Computacional (R$ 310 mil);
- Infra-Estrutura para Cristalografia Estrutural (R$ 700 mil);
- Centro de Caracterização e Desenvolvimento de Materiais (R$ 900 mil);
- Programa Coordenado de Análise e Síntese Fonética (R$ 110 mil).

Segundo o decano de Pesquisa e Pós-Graduação da UnB, Noraí Rocco, o projeto da universidade foi elaborado para atender às diversas áreas de pesquisa da instituição e na intenção de atingir o maior número de usuários. Na lista dos equipamentos que serão adquiridos assim que o dinheiro for liberado, estão dois espectômetros de massa (um para proteínas e outro de fonte gasosa) e um difratômetro de raio-x para estruturas cristalinas. “Esses equipamentos darão mais rapidez às pesquisas desenvolvidas na UnB e impulsionarão o surgimento de novas metodologias e, conseqüentemente, de novos conhecimentos”, acredita Rocco.

O professor do Departamento de Biologia Celular da UnB Carlos André Ricarti é um dos pesquisadores que receberão novo espectômetro de massa para análise de proteínas e peptídeos. Para ele, a chegada do novo equipamento permitirá que o Núcleo de Proteômica do qual faz parte dê um salto nas pesquisas de proteomas – conjunto de proteínas presentes nas amostras biológicas. “Apesar de já termos outro espectômetro, o novo equipamento permitirá análises como, por exemplo, o seqüenciamento genético de proteínas estudadas em diversos projetos da UnB, entre eles os que se dedicam a desvendar a Doença de Chagas, diversos tipos de câncer e venenos animais”, afirma o professor.

CONCORRÊNCIA – Para enfrentar a concorrência nos editais, o decano Noraí Rocco conta que a universidade procura expandir ao máximo suas propostas, por meio da união de pequenos projetos. Assim, de acordo com ele, aumentam-se as chances de adquirir recursos que possibilitem a compra de equipamentos mais caros, que beneficiarão vários usuários. Mesmo assim, com o dinheiro alocado no último edital, ainda não será possível obter o microscópio com focal, que permite observar a célula em movimento. O equipamento custa cerca de R$ 1,5 milhões e é uma das maiores demandas dos cursos da área de Saúde.

Desde 2001, a UnB concorreu a todos os cinco editais institucionais para a melhoria da infra-estrutura de pesquisa. Em todos, foi contemplada. Nesse período, estima-se que a universidade tenha adquirido cerca de R$ 14 milhões. O dinheiro foi investido nas obras do Núcleo de Tecnologia da Informação; no projeto de dinamização da Biblioteca Central, que envolveu, por exemplo, a impermeabilização do prédio; nas melhorias da rede elétrica de todo o campus; e em instalações laboratoriais.

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