Unesp recebe estudantes angolanos
Por Oscar D
Os 51 alunos aprovados no vestibular realizado, em novembro passado, pela Fundação para o Vestibular da Universidade Estadual Paulista (Vunesp), em Angola, foram recebidos oficialmente nesta segunda-feira (25), por Maria Amélia Máximo de Araújo, pró-reitora de Extensão Universitária, Gervásio Bechara, da Assessoria de Relações Externas, e por integrantes do Núcleo Negro da Unesp para Pesquisa e Extensão (Nupe).
A recepção aos novos estudantes da Unesp ocorreu na sala do Conselho Universitário da Reitoria, em São Paulo. "Acreditamos que as oportunidades de crescimento e desenvolvimento que vocês procuram no Brasil serão preenchidas pela nossa Universidade", afirmou a pró-reitora aos jovens. O exame vestibular, aplicado pela Vunesp com participação e apoio logístico da Universidade Agostinho Neto (UAN) e incentivo do Ministério da Educação de Angola, foi o primeiro de uma universidade brasileira fora do território nacional.
Os alunos assistiram a um vídeo institucional da Unesp e receberam informações sobre aspectos acadêmicos, documentos para matrícula, deveres do estudante, moradia, alimentação, assistência médica e sobre segurança e cuidados pessoais. Em seguida, os vice-diretores das unidades universitárias onde eles estudarão os conduziram para as suas respectivas faculdades e institutos, localizadas no interior do Estado de São Paulo.
Para o vice-diretor da Faculdade de Ciências e Tecnologia (FCT), campus de Presidente Prudente, João Fernando Custódio da Silva, que receberá oito alunos de Angola, a Universidade tem o maior prazer em formar esses alunos. "Eles terão professores altamente capacitados que se dedicam exclusivamente ao ensino, à pesquisa e à extensão", afirmou.
O processo seletivo capitaneado pela Vunesp representa o início da criação de um consórcio de universidades do Brasil, que deverá oferecer vagas a candidatos de Angola. Dessa primeira experiência do projeto também participou a Universidade Federal do Paraná, que ofereceu 38 vagas para este ano.
A Unesp ofereceu 98 vagas, mas ainda não vieram todos os estudantes. "Além de alunos tutores para os estudantes angolanos, a Unesp, por meio do Nupe, dará apoio a esses jovens", disse a vice-coordenadora do Núcleo, Marizilda dos Santos Menezes, docente da Faculdade de Arquitetura, Artes e Comunicação (FAAC), campus de Bauru.
A iniciativa tem a colaboração do Núcleo Negro da Unesp para Pesquisa e Extensão (Nupe), que promoveu as primeiras conversas entre a instituição brasileira e a Fundação Eduardo dos Santos (Fesa), organização que leva o nome do atual presidente da República angolana. "Só temos que agradecer a Unesp pelo carinho como vem tratando os nossos alunos desde que eles chegaram ao Brasil, dia 21, quinta-feira", afirmou João de Deus, diretor-geral da Fesa.
O estudante Esmael da Silva, da Fesa, responsável pelos alunos, destacou a importância, para eles, desta vinda ao Brasil. "A expectativa deles é muito grande, pois buscam uma formação diferenciada no Brasil. Cursos como o de Engenharia Ambiental, por exemplo, oferecido pela Unesp de Presidente Prudente, não existem em Angola", apontou.
Nascido em Benguela, distante 700 km de Luanda, o angolano Anderson Velho, 19 anos, que vai cursar Medicina na unidade da Unesp, campus Botucatu, agradeceu a recepção. "Sempre tive o sonho de vir para o Brasil. Em Angola, as vagas são limitadas, porque há poucas universidades e a demanda é muito grande. Vou aprender muito aqui", afirmou.