Universidade XXI: reitores querem políticas consistentes
Os reitores das universidades públicas marcaram presença na abertura do seminário internacional Universidade XXI, organizado pelo Ministério da Educação (MEC) e que busca um modelo alternativo de universidade para o Brasil e o mundo. Falaram durante a solenidade o presidente do Conselho de Reitores das Universidades Brasileiras (Crub), Paulo Alcântara Gomes, e a presidente da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), Wrana Maria Panizzi.
Gomes afirmou que a realização do seminário marca um momento histórico no país e levanta uma série de desafios a serem enfrentados pelo ensino superior, não só no Brasil como no mundo: o avanço tecnológico, a diminuição da presença do Estado na educação e a necessidade de a universidade mudar e comprometer-se mais com a sociedade e o mundo globalizado. “Temos de construir um modelo de educação superior que atenda a nossos anseios e demandas sociais. A universidade precisa ser moderna, atuante e importante para a sociedade”, explica.
Mais política, Wrana destacou que apesar do quadro de deterioração em que se encontram, as universidades brasileiras têm indicadores de desempenho marcantes se comparados aos últimos anos. Segundo ela, na década de 60 o Brasil tinha apenas 100 mil estudantes no ensino superior, número que pulou para 3,5 milhões atualmente. Ainda assim, apenas 9% dos brasileiros entre 18 e 24 anos estão na graduação. “Há uma década a presença brasileira no contexto científico internacional era insignificante e hoje o país está entre os 20 mais importantes do mundo”, afirma. Esse avanço, ressalta a presidente da Andifes, foi atingido graças ao trabalho realizado nas universidades.
Wrana aponta ainda que faltam à universidade autonomia, um projeto claro de gerenciamento, recursos e pessoal. Ela indica a existência de meio milhão de vagas ociosas no ensino superior privado enquanto cerca de 1,2 milhões de jovens egressos do ensino médio não entram no ensino superior por não haver vaga em universidades públicas e por não terem condições de pagar as mensalidades nas instituições particulares. “A educação superior é promotora do desenvolvimento sustentável e precisa ser democrática para crescer e realizar mais pesquisas. Temos de encontrar caminhos para valorizar a universidade pública”, conclamou. (com agênciaUnB).