Universidades vivem a crise na Colômbia
Adital - As universidades colombianas têm sido alvos constantes da crise política em que vive o país. Segundo o Comitê Permanente pela Defesa dos Direitos Humanos da Universidade Industrial de Santander "Christian Roa" e a Rede de Direitos Humanos de Sintraunicol Bucaramanga, analisando profundamente a situação que, atualmente, vivem os trabalhadores, empregados, estudantes, professores e diretores das universidades colombianas, no marco da Campanha Nacional e Internacional de Direitos Humanos "Para que a Universidade Viva na Colômbia", manifestam que as universidades são um centro de interesse de todos os atores do conflito, convertendo as Instituições de Educação Superior num cenário natural do debate dos problemas da sociedade, nas quais se discutem tais temas cruciais da realidade.
"Por esta situação, e devido à profunda e dramática crise que sacode o país, não deixa de lado o Setor Universitário, o qual também vem sendo altamente lesado em matéria de violação dos Direitos Humanos. O campus de algumas de nossas mais importantes universidades tem se convertido num espaço de confronto entre os violentos, ficando no meio uma Comunidade Universitária desprotegida", declaram as entidades.
O ano de 2004 se constituiu como o ano de maiores violações aos direitos humanos no qüinqüênio para os sindicatos na Colômbia. Os registros de violações passaram de 626, em 2003, para 688, em 2004, significando um incremento na violência anti-sindical de 9,9 %. Desde 1° de janeiro de 2000 até 31 de dezembro de 2004, se pode estabelecer que as violações apresentam um incremento total de 21,6%. A informação sistematizada pelo Banco de Dados em Direitos Humanos da Escola Nacional Sindical mostra que, na Colômbia, entre 1° de janeiro e 31 de dezembro de 2004, se apresentaram 688 casos de violações contra a vida, a liberdade e a integridade pessoal dos trabalhadores e trabalhadoras sindicalizados no país. Destas violações 445 registros correspondem a ameaças de morte, 94 a homicídios, 77 a detenções arbitrárias, 17 a hostilidades, seis a desaparecimentos, cinco a seqüestros, 33 a deslocamentos forçados e três invasões ilegais.
Em 2004, se destacam as violações contra o setor educativo e agrário, e as violações contra mulheres sindicalizadas. A situação dos docentes na Colômbia é um caso particular da violência contra os trabalhadores sindicalizados no país, constituindo-se como o setor sindical mais afetado pelas violações à vida, à liberdade e à integridade no movimento sindical, segundo as entidades denunciantes. Durante 2004, os professores e trabalhadores de instituições universitárias foram vítimas de 61,1% do total de violações contra os trabalhadores sindicalizados. Neste contexto de violações, é necessário ressaltar que 48 foram assassinados, o que representa 51% do total de homicídios; 320 receberam ameaças de morte; 30 tiveram que deslocar-se forçadamente, 14 foram vítimas de detenção arbitrária e cinco foram desaparecidos.
Deste preocupante panorama, é necessário assinalar que dos 48 trabalhadores do setor educativo assassinados no país, 38 docentes se encontravam afiliados à Federação Colombiana de Educadores (FECODE), 13 das vítimas eram mulheres sindicalizadas e 10 eram afiliados aos sindicatos de professores e trabalhadores da educação superior.
Para as entidades, é relevante assinalar que, em 2004, a tendência histórica de desconhecimento dos autores dos fatos violentos se mantém. Precisamente, e em razão desta tendência histórica, 69,4% dos casos registrados, ou seja, em 475, não se tem conhecimento dos autores materiais, nem intelectuais dos crimes. Em 30,6% das violações restantes (213 casos), dos quais se possui informação sobre os possíveis autores, a informação fornecida mostra que: os casos são atribuídos às autodefesas e/ou paramilitares, 85 casos se atribuem aos agentes estatais.
Um exemplo destacado foi o ocorrido no dia 5 de outubro de 2004, quando ingressaram mais de 500 membros da Polícia Nacional, pertencentes ao Esquadrão Móvel de Anti-Distúrbios (ESMAD), à Universidade Nacional da Colômbia,sede Bogotá, que, à força, reprimiram estudantes, trabalhadores, empregados e professores, quando, em diferentes cenários, se encontravam realizando assembléia geral, onde se analisava e discutia estratégias para contestar as políticas do reitor Marco Palacios. Os agentes de ESMAD perseguiram os membros da Comunidade Universitária fora da universidade, lançando gases lacrimogênios e disparando balas de efeito moral, lesionando, além de cidadãos, especialmente crianças e jovens, que, a essa hora, regressavam para suas casas depois de estudar e de trabalhar.