02/07/2010

Vigilância armada atuará em escolas públicas de Porto Alegre

Localizadas na região metropolitana de Porto Alegre (RS), 12 escolas estaduais terão vigilantes armados a partir da próxima semana. A decisão foi tomada pela Secretaria da Educação do Rio Grande do Sul, que está em processo de contratação de uma empresa de segurança privada para atuar nas instituições de ensino.

Parte do Programa Escola Segura, a medida deve custar R$ 1,2 milhão por ano aos cofres públicos. Outros R$ 2,1 milhões serão aplicados na construção de muros e instalação de portões eletrônicos.

O professor da Faculdade de Educação e do Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Roberto Leher, diz estar apreensivo com a ação da secretaria gaúcha.

“A medida desloca o problema de segurança para dentro das escolas, o que expressa uma política pública deformada. É necessário entender o que é política de segurança e o que é educacional, porque, da forma como está sendo feito, atinge a maior parte da sociedade que não tem a ver com a criminalidade”, afirma Leher.

Para ele, um agente armado não assegura que uma comunidade esteja protegida. “Acham que é possível criar nichos de segurança. No entanto, a violência não está dentro da escola em si, mas no entorno dela, no acesso, no transporte. Essa alternativa é ilusionista e está relacionada com a incapacidade do poder público de lidar com a segurança”.

A titular da 1ª Coordenadoria Regional da Secretaria Estadual de Educação, Suzi Capulo, acredita que o efeito será positivo. “Isso não é totalmente novo. Escolas foram construídas e adotamos esse procedimento. Aconteceu um clima de tranquilidade”, afirma.

Segundo o órgão, a seleção das escolas foi feita de acordo com um mapa das mais vulneráveis à violência, elaborado em conjunto pela Secretaria da Educação e a Brigada Militar – polícia militar gaúcha.

Atuando na linha de pesquisa de Políticas e Instituições Educacionais, Leher destaca outro aspecto negativo. “Se há um diálogo com a comunidade do entorno da escola, o grau de violência é muitíssimo menor. Investir nisso é uma alternativa mais interessante. Do contrário, abandona-se a perspectiva educacional”.

Terceirização

“A contratação privada foi uma decisão de governo, porque não temos como suprir a demanda dentro do próprio estado”, revela a coordenadora Suzi.

Segundo a avaliação do professor da UFRJ, agentes privados não são preparados para atuarem em comunidades ou em escolas. “Passado um tempo esses seguranças podem passar a interferir na dinâmica do ensino e o atrito deverá surgir”, alerta.

(Envolverde/Aprendiz)

 
© Copyleft - É livre a reprodução exclusivamente para fins não comerciais, desde que o autor e a fonte sejam citados e esta nota seja incluída.

Assine

Assine gratuitamente nossa revista e receba por email as novidades semanais.

×
Assine

Está com alguma dúvida? Quer fazer alguma sugestão para nós? Então, fale conosco pelo formulário abaixo.

×